Luiz Antônio Gasparetto e suas pinturas
Atualmente, vários “médiuns” alegam incorporar espíritos de pintores falecidos, pintando quadros com o uso de ambas as mãos e pés, às vezes na dita mais completa escuridão.
Dois internautas (Barreto BH e Márcio Horta, este último em particular), citaram-me vários exemplos, com links interessantes:
a) Florêncio Anton
Pinta com os pés na osbcuridade. Dois quadros diferentes ao mesmo tempo, um com cada mão.
Site oficial:
http://www.pinturamediunica.com/
Vídeos:
http://www.youtube.com/watch?v=cfWMESsmnPA http://www.youtube.com/watch?v=HZBb8yxKbao
b) Germano Rehder
Vídeo:
http://www.youtube.com/user/germanorehder
c) Marilusa Moreira Vasconcellos
Vídeos:
http://br.youtube.com/watch?v=OYHt0Odm2no
http://www.youtube.com/watch?v=XrWbZxMRM0E
http://www.youtube.com/watch?v=oQPdnrRntG8
d) Luiz Antônio Gasparetto
http://www.youtube.com/watch?v=JhL4C78_YQs&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=rtVKjbaSQfo&feature=related
De todos o mais famoso é Gasparetto. Mas, ele pintaria mesmo através de espíritos?
Na verdade o parapsicólogo Wellington Zangari treinou poucos meses e conseguiu imitá-lo. Eis o que ele disse:
Gasparetto é uma figura interessante. Há alegações dele que eu avaliei de modo um tanto aprofundado porque na década de 1980 eu tinha muito contato com pessoas que me solicitaram informações a respeito. Apresento alguns “estudos” que fiz.
A primeira é que ele pinta sob luz vermelha e que isso não permitiria que as cores fossem visualizadas. Estive a várias das “apresentações” dele, algumas vezes fiquei bem próximo. Não é verdade que não é possível identificar as cores! Em casa, montei um cirquinho com luz vermelha, e pude identificar as cores, quer por elas mesmas, quer por identificação nos tubos de tinta, que pela posição que eles ficavam sobre a mesa!
A segunda alegação é de que ele pintaria de olhos fechados. Não é sempre verdade! Analisei imagens das apresentações e conclui que quando ele afasta o rosto, visivelmente não olhando para a imagem que está pintando, NÃO PRODUZ QUALQUER DETALHAMENTO. Lembremo-nos que ele “psicografa”, especialmennte, pinturas impressionistas (a
Outra alegação é de que seria impraticável pintar com as duas mãos e/ou com os pés. Estudei pintura por conta própria e, com algum treinamento de 3 meses, eu era capaz de pintar no mesmo estilo (impressionista) que Gasparetto. Pretendo voltar a treinar para fazer um vídeo disso nos próximos meses. Eu cheguei a pintar muito bem de cabeça para baixo e… sem olhar!!! Eu decorei certos movimentos simples que eram suficientes para reproduzir uma imagem de Jesus com um papel carbono que eu tinha às mãos. Ficava bem realista, com coroa de espinhos, olhos, barba… de cabeça para baixo!
As assinaturas: eram todas muito facilmente reprodutíveis pelo treino e eu consguia fazê-las facilmente, sobretudo as de Monet, de Manet, de Tolouse Lotrec, de Picasso… MAS, estive em uma galeria no Ipiranga que, na década de 1980 (não sei agora) expunha (e vendia) quadros feitos por Gasparetto. Reparei que havia diferenças gritantes entre as assinaturas dos mesmos supostos autores, ainda que fossem assemelhadas com a assinatura original (ad hoc: inflência do corpo do médium!!!)
Esta mensagem é encontrada facilmente colocando-se qualquer trecho dela no Google e clicando-se em “em cache”.
Uma vez que é perfeitamente possível imitar Gasparetto com apenas poucos meses de treino, e em alguns aspectos até superá-lo, é de se perguntar se tais alegados médiuns não estariam cometendo uma fraude. Um bom teste poderia ser se, enquanto incorporados, poderiam responder a perguntas específicas sobre os autores que alegam incorporar, talvez na língua que tais autores falavam em vida.
April 3rd, 2008 às 9:02 pm
Lendo este artigo e outras coisas neste blog, fico com a impressão de que o espiritismo brasileiro divide-se em dois grupos.
Digo isso considerando o que o parapsicólogo acima fala do Gasparetto, as queixas de plágio que nada menos do que Chico Xavier fez sobre o Divaldo (vi o próprio reclamar disso na tv) e mais as coisas que neste blog são ditas sobre outros médiuns.
Parece haver uma classe popular espírita que, solicitada incessantemente a se cristianizar por seus líderes, comporta-se ingênua mas eticamente.
Os líderes, por outro lado, pregam o cristianismo para os outros, mas agem como a classe política brasileira - para ascenderem (e há muitos modos de ascenção) estão dispostos a tudo, especialmente a praticar a taumaturgia.
E comportam-se como o PT se comportou quando cataram o José Dirceu e outros petistas. Defendem-nos caninamente, pois a queda de um pode conduzir à queda de todos.
É só uma impressão, por ora, mas essa “escola” de médiuns que vão pintando nomes famosos por aí pode ser a mais recente invenção de um grupo de pessoas que está disposta a tudo pela notoriedade, particularmente a ludibriar as pessoas.
April 3rd, 2008 às 9:46 pm
Marcião:
O que me surpreende mesmo é a tenacidade do parapsicológo Wellington em buscar detalhes de fraudes com cansativos exercícios. Será que ele sabe pintar tão bem quanto sabe imitar? De repente poderia se notabilizar por talento próprio, ou quem sabe também imitar os grandes mestres da pintura de todos os tempos e ficar rico! Idéia tentadora, não?
Quanto ao Chico ter criticado o Divaldo, acho muito pouco provável. Esse tipo de acusação sem uma prova concreta é vaga e irresponsável, posso dizer até leviana.
Tem gente que somente ouve o quer ouvir e distorce tudo o que lhe interessa distorcer.
Apresente provas, prezado, pois nesses casos só vale o escrito, o transcrito e o provado!
April 4th, 2008 às 2:25 am
Puxa Carlos Magno, lamento a sua disposição de atacar as pessoas, e ainda me chamou de leviano, além de outras acusações.
Para quem xinga tanto, vc deveria estar mais informado. Segue o artigo do site http://www.inricristo.org.br/Espiritismo.html:
Eu só escrevi sobre o que vi.
April 4th, 2008 às 2:47 am
Maiores informações sobre os alegados plágios também constam no livro “A Anti-História das Mensagens Co-Piadas”, de Luciano dos Anjos. Como vê, Carlos Magno, é muito fácil nos enganarmos sobre as pessoas…
April 4th, 2008 às 3:49 am
Gasparetto é um bom exemplo da cultura de Almanaque Biotônico Fontoura do Espiritismo: só caras de fama de almanaque são “incorporados” por Gasparetto: Monet, Manet, Tolouse Lotrec, Picasso, Da Vinci, Van Ghog, etc. Só pintor de almanaque… Nunca pintores desconhecidos, anônimos ou de pouca penetração nas altas rodas, mas igualmente talentosos, como Ansel Adams, Barnett Newman, Cy Twombly, Norman Rockwell (esse necessitaria anos de estudos de arte para se imitar!!), Daniel Hernandez, Jose Sabogal, Mikhail Nesterov, Valentin Serov, Fernando Barata, Rute Santos, e outros, famosos em seus países e conhecidíssimos de estudantes de Artes. Será que os espíritos desses artistas não estão “disponíveis” no além? Só os de almanaque, e que por coincidência nunca reencarnam? Estes estão sempre lá, prontinhos pra pintar um quadro infantilóide sem o mínimo de inspiração, mas com uma velocidade incrível, pois os espíritos têm pressa, já que eles só possuem a ETERNIDADE pra se dedicarem às suas artes…
April 4th, 2008 às 6:41 pm
Vitor, gostaria de saber se você viu Wellington Zangari fazendo essas pinturas que ele diz imitar.
April 4th, 2008 às 7:07 pm
” queixas de plágio que nada menos do que Chico Xavier fez sobre o Divaldo (vi o próprio reclamar disso na tv) Você viu o próprio Chico Xavier reclamar de plágio de Divaldo na TV, ONDE ISSO?
Sobre a carta divulgada pela Rede Globo, para quem em tudo crê, deveria olhar o outro lado da moeda também.
Quanto a isso fico com parte do texto de Alamar Régis, sobre a mesma história, que diz:
April 4th, 2008 às 7:49 pm
Gente, é impressionante!!! Essas pessoas são completamente desclassificadas - em face dos fatos, insultam, e insultam sempre, especialmente quando apanhadas sem argumentos. Parece que estamos conversando com as próprias sombras, das quais elas tanto falam.
Que bestialidade. É realmente muito importante desmascará-las, para que os crimes que perpetram não fiquem impunes, particularmente na consciência de suas vítimas. O Chico Xavier acusou o Divaldo de algo que na lei brasileira e universal é crime, passível de apenamento e cadeia.
Assim Vitor, mãos à obra, por que essa gente acha que o Brasil não tem leis, que podem fazer o que bem entendem com os outros e sair ilesas, contando com a benevolência dos ingênuos.
Parabéns inclusive por dar-lhes a palavra, Vitor, para que eles se enforquem na própria corda malevolente.
April 4th, 2008 às 9:23 pm
Angus,
sou bem mais novo que o Zangari, em 1980 eu tinha acabado de nascer! Esperemos que ele possa mostrar em vídeo ele mesmo pintando os quadros, de cabeça para baixo, como disse. A princípio, não vejo nada de impossível.
April 5th, 2008 às 3:09 am
Até o momento só li ladainhas. O site informado pelo Marcião aparece como página não encontrada. Quero ler o texto ou ver o vídeo, quero saber quem são realmente as pessoas que divulgaram tal carta, quero ler a carta.
O Chico desencarnou amigo do Divaldo que fala bem do Chico. O Divaldo tem uma senha secreta sobre possíveis plagiadores comunicando-se e assinando pelo Chico.
Ouvi dizer, ou li não sei onde é muito vago, ainda mais divulgado pela televisão ou comemorado por inimigos do espiritismo. Já v i muita gente jurar que a prova que apresenta sobre denúncias é verídica e depois cair no ridículo de ser obrigado a desmentir.
Sem provas concretas, registradas e reconhecidas por especialistas é denúncia vazia. Só acredito nessa denúncia com provas insofismáveis.
Acho bom o Vitor não soltar ainda todos os foguetes e os rojões.
April 5th, 2008 às 3:13 am
Marcião:
Para quem me acusa de xingar as pessoas esse seu último texto é um primor de falta de educação.
Macaco, olhe seu rabo!
April 5th, 2008 às 8:58 am
Esta é a página de onde o Vitor retirou o texto do Zangari:
http://209.85.165.104/search?q=cache:d0IM8xpqfdEJ:www.forumnow.com.br/vip/mensagens.asp%3Fforum%3D15836%26grupo%3D17762%26topico%3D2779249%26pag%3D1+A+primeira+%C3%A9+que+ele+pinta+sob+luz+vermelha+e+que+isso+n%C3%A3o+permitiria+que+as+cores+fossem+visualizadas.+Estive+a+v%C3%A1rias+das+%E2%80%9Capresenta%C3%A7%C3%B5es%E2%80%9D+dele,+algumas+vezes+fiquei+bem+pr%C3%B3ximo.&hl=pt-BR&ct=clnk&cd=2&gl=br
Está no Religião é Veneno(sic), um primor de imparcialidade. Acho que o Vitor ficou com vergonha de postar. O curioso é a data (13/09/2005). Ele então já tem quase 3 anos de treino!!! Já deve ter superado o gasparetto em qualidade, o Florêncio em agilidade e a Marilusa em picaretage(só pra rimar)!!!
Mas, pra frustração minha, não encontrei o vídeo que ele disse que iria produzir. Será que não foi pra evitar o estrelismo vaidoso (e existe outro?), tão comum nesses alegados médiuns pictógrafos?
O que achei foi uns vídeos dele no site Pesquisa Psi(http://www.pesquisapsi.com/videos). O vídeo dele é interessante, mas no final da até então educativa palestra, me veio uma frase que realmente não compreendi:
“A Pesquisa Psi não nega nem afirma qualquer realidade transcendente, apenas não a considera”(?!?!?!?!?!)
Alguém pode me explicar o que ele estuda então?
Procurando saber um pouco mais sobre o “caçador de fraudes”, me deparei com um texto de junho de 2006, no qual o Vitor diz ter cortado relações com o Zagari (http://groups.google.ro/group/Espiritismo-Cientifico/msg/b393acb26b8c0bde).
Nem eles se entendem. Aqui ele, mais a Fátima Regina Machado, “sugerem”, sofismamente, que a Sônia Rinaldi pode estar fraudando “inconscientemente”:
http://www.terra.com.br/planetanaweb/flash/paranormal/propriedadesastrais/paranormal_3.htm
Carlos Magno, calma meu irmão. Apiada-te de deles. No fundo mesmo eles estão a nos ajudar.
E provas, mas prooovas mesmo, nada…
Vitor, me desculpe, mas nessa você se superou.
April 5th, 2008 às 11:39 am
Barreto,
comentando:
01-Está no Religião é Veneno(sic), um primor de imparcialidade. Acho que o Vitor ficou com vergonha de postar.
De forma alguma! Agradeço o que você fez!
02- O curioso é a data (13/09/2005). Ele então já tem quase 3 anos de treino!!! Já deve ter superado o gasparetto em qualidade, o Florêncio em agilidade e a Marilusa em picaretage(só pra rimar)!!!
Não! Ele disse que “pretendia” fazer um vídeo nos próximos meses, não que “iria” fazer. Por que não escreve para ele para saber o que teria acontecido?
03- Mas, pra frustração minha, não encontrei o vídeo que ele disse que iria produzir.
Que disse que PRETENDIA produzir. Outros afazeres mais importantes podem ter-lhe impedido de realizar o vídeo (ou não). De qualquer forma, ele forneceu uma explicação prosaica para as pinturas de Gasparetto - e consequentemente para os demais médiuns pictógrafos - que não requer a participação de espíritos, permitindo a reprodução por qualquer pessoa, desde que se dedique pelo tempo necessário. Por que você é tão arredio a tal hipótese?
04- Será que não foi pra evitar o estrelismo vaidoso (e existe outro?), tão comum nesses alegados médiuns pictógrafos?
Pergunte para ele.
05-O que achei foi uns vídeos dele no site Pesquisa Psi(http://www.pesquisapsi.com/videos). O vídeo dele é interessante, mas no final da até então educativa palestra, me veio uma frase que realmente não compreendi: “A Pesquisa Psi não nega nem afirma qualquer realidade transcendente, apenas não a considera”(?!?!?!?!?!)
Alguém pode me explicar o que ele estuda então?
Fenômenos anômalos em que pessoas VIVAS, e não mortas, seriam possíveis responsáveis. Isso no entendimento DELE, que fique bem claro.
06 - Procurando saber um pouco mais sobre o “caçador de fraudes”, me deparei com um texto de junho de 2006, no qual o Vitor diz ter cortado relações com o Zagari (http://groups.google.ro/group/Espiritismo-Cientifico/msg/b393acb26b8c0bde). Nem eles se entendem.
Como se os espíritas todos se entendessem. Até parece que não há divisões no meio espírita, com “chiquititas”, “ubaldistas”, “divaldistas”, os que idolatram ramatis, os que odeiam ramatis… até mesmo Chico Xavier acusou Divaldo de plágio, rompendo relações com ele por vários anos, e mais de uma vez!!! Então, qual o problema?
07- Aqui ele, mais a Fátima Regina Machado, “sugerem”, sofismamente, que a Sônia Rinaldi pode estar fraudando “inconscientemente”: http://www.terra.com.br/planetanaweb/flash/paranormal/propriedadesastrais/paranormal_3.htm
E?
08- Carlos Magno, calma meu irmão. Apiada-te de deles. No fundo mesmo eles estão a nos ajudar.
E provas, mas prooovas mesmo, nada…
Em Ciência, meu caro, não existem provas. Hipóteses não são provadas. Tudo o que o cientista pode fazar, no máximo, é apontar evidências fortemente convincentes que apontam na direção de uma teoria. Ou seja, mostrar evidências que permitem que estabeleçamos momentaneamente uma teoria como correta acima da dúvida razoável. Quando a evidência para uma dada hipótese se acumula até certo ponto, nós aceitamos a hipótese como verdade. Mas “verdade” neste sentido científico nunca significa “provada”; significa muito, muito provável.
09- Vitor, me desculpe, mas nessa você se superou.
Barreto, me desculpe, mas não creio que você tenha refutado os argumentos expostos de forma convincente. De fato, não refutou. Você mais se prendeu a picuinhas entre mim e o Zangari. É justo você pedir pelo vídeo da demonstração dele, mas por que você considera tal demonstração assim tão inviável? Acha mesmo que pintar com as mãos e pés sem o auxílio de espíritos é assim mesmo tããããão difícil? Qual hipótese é mais científica, a mais simples, a do Zangari ou a dos médiuns pictógrafos que nunca se submeteram a testes devidamente controlados?
Um abraço.
April 5th, 2008 às 2:17 pm
Vitor:
O Barreto tem razão. E você continua se superando. Esse seu último comentário nos traz a impressão de um náufrago se apoiando na tábua de salvação.
Vitor disse:
Prezado aprendiz de iconoclasta:
O que você mais faz nesse blog maluco é se esmerar na busca de provas para trazê-las e pretender dar tiros de misericórdia nos grandes nomes do Espiritismo (e não incluo nesses grandes nomes nenhum Gasparetto, pensamento meu). Você não as chama hipóteses, mas sim, provas conclusivas.
E desde quando a ciência só trabalha com hipóteses, ficou pirado Vitor?
O que vocês céticos de brincadeirinha sempre mostram em vídeos, em resultados, em experiências são chamadas provas irrefutáveis. Você e o Mori vivem a alardear-se céticos e racionais. O Mori tem até carteirinha de cético, acho que você também. Só não sei se pagam meio ingresso no cinema. Que conversa é essa agora de hipóteses, compadre?
E como a ciência concreta viveria sem provas? Há hipóteses, há teorias, há pesquisas, experimentos e formulações que são carreadas para provas, senão a ciência seria filosofia. E não é!
Vitor, dê uma respirada, releia tudo com calma, e se possível medite. Mas, por favor, pare de falar bobagens.
April 5th, 2008 às 2:56 pm
Carlos Magno,
provas conclusivas NÃO É A MESMA COISA que provas irrefutáveis. NENHUMA prova em ciência é irrefutável. Alguém sempre pode questionar a integridade dos cientistas, ou inventar hipóteses ainda que mirabolantes para colocar em xeque os resultados, e mesmo resultados estatisticamente significativos, do tipo p<0.00000001 podem ser mero fruto do acaso e NADA querer dizer, além de que algo muito improvável por acaso aconteceu!
Em Ciência, TODA e QUALQUER prova ou certeza é provisória. As evidências nos permitem apenas concluir a favor da hipótese x ou y MOMENTANEAMENTE, até que NOVAS evidências surjam e nos façam mudar de opinião. Isso ocorre simplesmente porque no mundo natural ninguém se pode dizer conhecedor de todas as variáveis atuantes no fenômeno.
Seria bom se você estudasse um pouquinho de Filosofia da Ciência. Leia Popper, por exemplo.
Um abraço.
April 5th, 2008 às 3:40 pm
Vitor:
Provas conclusivas e irrefutáveis não são as mesmas coisas, é evidente que eu concordo. Mas a maneira com que os blogs céticos tratam dos assuntos espirituais como esoterismo, espiritismo, ovnis,etc., somente ressaltam o orgulho do irrefutável. A isso me referi claramente.
Nada é definitivo nesse mundo, portanto os céticos deveriam ser menos céticos e mais tolerantes, ao invés de incisivos, mordazes e peremptórios como são.
Entretanto, pedra é pedra, pão é pão. Nos parâmetros terrenos isso é concreto e sólido, não faz sentido em dizer-se o contrário. Na filosofia espírita ou esotérica, entretanto, não é bem assim. Mas quando se trata de ampliar os conceitos materialistas, vocês céticos, pulam e bradam, dizem que há farsas e mentiras, pois não existe o lado “imaterial” das coisas, como apregoam espíritas e esotéricos.
Dizem que Deus não existe, nem lei do carma, e que são espíritas-ateus, além de uma série de argumentos baseados no concretismo, tão somente para desmentir os espiritualistas. Aí, nesses casos, para vocês, “pau que dá em Chico não dá em Francisco”. Conheço bem essa manha.
Você foi feliz em lembrar que espíritas não se entendem, que uns aceitam determinadas coisas e outros não. Pois ai está a ciência viva; e da discussão nasce a luz. Entretanto espíritas e esotéricos, concordam nos pontos básicos de suas respectivas doutrinas, e você não irá ouvir de um sensato seguidor que não acredita em reencarnação e nem no carma. Já os céticos buscam derrubar justamente as idéias-pilares e fundamentais dessas filosofias ou religiões, com suas visões unicamente tridimensionais. Diferença grande não?
E quando os homens verdadeiramente se entenderam?
April 5th, 2008 às 3:57 pm
Carlos Magno,
vc disse:
Vc está TOTALMENTE enganado!!!! No Congresso Espírita Internacional de Liège (1923), a última das conclusões adotadas pela Seção de Filosofia do Quinto Congresso Internacional Espírita de Barcelona, de 1934, referente à reencarnação, assim rezava:
Um abraço.
April 5th, 2008 às 5:11 pm
Vitor:
Obrigado por reforçar minhas palavras com a colagem.
Eu disse que você não irá ouvir de “um sensato seguidor” não acreditar em reencarnação e nem no carma.
Está aí a prova: esses não são sensatos, são seguidores tolos e se encaixam perfeitamente no pensamento externado por minhas palavras. Estão perdendo o seu tempo ao discordar dessas universais verdades há milênios apregoadas por religiões esotéricas indus e pelo budismo.
Fariam melhor, esses irrefletidos, em agregar-se às religiões não reencarnacionistas, já que desejam “andar para trás” ou “marcar passo”.
O Espiritismo de Kardec é eminentemente reencarnacionista; foi sobre esse fato que ele construiu um dos aspectos mais fortes e consistentes da doutrina. Os tergiversadores não deveriam denominar-se espíritas; deveriam inventar outro nome para suas grupais e sectárias convicções.
No verdadeiro espiritismo fundado pelo Mestre Kardec não há lugar para dissensões desse gênero, são aberrações.
Seriam esses também espíritas-ateus?
Abraços.
(Vitor, por que nessa caixa de comentários não é possível espaçar parágrafos? Ficam comentários compactadoss e cansativo de ler. Dá para corrigir?(
April 5th, 2008 às 5:29 pm
Carlso Magno,
seu argumento do “seguidor sensato” é a pura falácia do “escocês de verdade”!
Falácia “Nenhum Escocês de Verdade…”
Suponha que eu afirme “Nenhum escocês de verdade coloca açúcar em seu mingau”. Você contra-argumenta dizendo que seu amigo Angus, nascido e criado na Escócia, gosta de açúcar no mingau. Então eu digo “Ah, sim, mas nenhum escocês DE VERDADE coloca”.
O que é um escocês “de verdade”? O que é um seguidor “sensato”? Vc está usando de uma definição particular, SUA, do que seria um seguidor sensato e usando-a para desclassificar quem não concorda com seu ponto de vista.
http://ateus.net/artigos/ateismo/uma_introducao_ao_ateismo.php
Meu conselho, Carlos: evite usar de falácias numa argumentação. Aqui tem um site para evitar você de cair nas falácias mais comuns:

http://str.com.br/Scientia/falacias.htm
Por fim, acho que descobri como resolver o problema dos parágrafos
Basta escrever, ESTANDO TUDO JUNTO [ou seja, SEM as vírgulas que vou usar para separar], < ,!,-,-,more,-,-,> que ele dá o espaço! Mas já vou fazer isso nos novos comentários, e já estou fazendo nos antigos, então não precisa se preocupar. Assim que eu vir o comentário, já ajeito.
April 5th, 2008 às 6:53 pm
Vitor
li o texto várias vezes, e não vejo porque acreditar ser possível imitar Gasparetto ou até supera-lo, baseado no que Zangari diz, se nem provas de que ele fez isso existem.
Você afirmou que Zangari conseguiu imita-lo, depois, quando perguntei se você viu tal fato, você disse que não, você acredita no que Zangari disse, e baseado nisso julga as pinturas mediunicas como fraude?
April 5th, 2008 às 7:12 pm
Marcião, não adianta espumar, mesmo com sua falta de educação, que passou pelo crivo do Vitor, afinal ele deixou que postasse esse monte de asneiras, e xingamentos, que com certeza não o levarão a nada, responda as perguntas com argumentos, (que você diz que não temos) em vez de retóricas vazias.
April 5th, 2008 às 7:16 pm
Angus,
as provas podem até não existirem, mas muitas das alegações de Zangari são a princípio abertas a verificação independente. Por exemplo, a diferença gritante nas assinaturas. Basta ver a assinatura em alguns dos quadros de Gasparetto e as assinaturas dos pintores originais. São idênticas ou não?
Se as pinturas mediúnicas são fraudes ou não, só testes controlados é que poderão dizer. No entanto, os comentários de Zangari são importantes porque fornecem uma explicação NORMAL para tais “fenômenos”. Assim, coloca tais “médiuns” em xeque.
O importante deste site é exercitar a dúvida e a pesquisa. Não é porque tais médiuns alegam que estão incorporando espíritos e fazem quadros bonitinhos que você vai acreditar neles, não é? Veja o caso da Marilusa, que se diz médium pictógrafa também e achei muitos indícios de fraude em seus livros.
Um abraço.
April 5th, 2008 às 8:33 pm
Vitor:
Parece que vamos tirar seu blog da longa inércia em que esteve mergulhado com essas discussões que você vem esticando.
Não uso de falácias, uso de induções para fatos e de fatos para assertivas. Não gosto muito de citar autores, filósofos, pois eles normalmente são de escolas radicais, e eu sou do livre pensamento. Por isso sou esotérico, exercito o pensamento intuitivo, portanto de cima para baixo.
Não me convencerão os autores ateus, nem os filósofos das ciências materialistas. E prefiro que você externe o seu pessoal ponto de vista sem condicionamentos.
Você é inteligente e portanto tem condições de falar por si mesmo, por sua própria lógica, prescindindo da voz alheia. Se lhe faltam argumentos lógicos, reconheça-os, mas não será somente se utilizando da filosofia de um pensador comprometido que você deixará de ser também falacioso. Pensadores erram, famosos erram, cientistas idem, e continuarão errando.
Eu não uso de falácias alheias, minha lógica é minha; é minha a experiência, é minha a visão e são meus os erros. Ao citar um autor assumo a minha identidade ou inclinação com o pensamento dele, mas não o uso para justificar os meus argumentos. Procuro da melhor maneira possível ser autêntico.
E há coisas que, realmente, à minha ótica, são gritantes, absurdas e incongruentes.
Para contestar essa sua história do escocês, poderia exemplificar os fundamentalistas muçulmanos. Com toda a certeza, nas páginas do belíssimo Alcorão, encontraríamos certa lógica que nos ajudariam entender aquilo que fazem. Mas onde estaria o sentido sequer razoável dos atos que cometem, - a nós absurdos, - para quem não é fundamentalista como eles?
Da mesma maneira invocamos o pensamento de Kardec. Ele queimou as pestanas para trazer-nos lógicas sensíveis, abstrações e realidades concretas e vêm alguns Brucutus e transformam as mais altas expressões da espiritualidade por ele alcançadas em quintais de suas casas. E nessa lógica por eles defendida, inventam um neo-espiritismo e você ainda acha que há sentido naquelas tergiversações.
Por que então resolveram dizer-se espíritas se não aceitam o sentido das mensagens de Kardec? O que eles pensam não é aquilo que Kardec realmente falou, não foi o que ele divulgou. Ora, tenha paciência meu amigo, espiritismo não é tubo de ensaio, a linguagem de Kardec é clara e límpida, como é a dos mensageiros do Chico, não as entendem quem é obtuso ou é um contestador genético. Esses divergentes sectaristas, repito, deveriam mesmo é fundar seitas com as caras deles e esquecer os ensinamentos do Espiritismo de Allan Kardec.
E você me vem falar de falácias.
April 5th, 2008 às 8:55 pm
Vitor, tb acho q o Popper seria o metodologista da ciência e de sua lógica melhor indicado p/ as pesquisas sobre o espírito.
Descartes, pai do racionalismo moderno e clássico, sustentava a existência de duas substâncias, a “res cogita” e a “res extensa”, alma e corpo.
O racionalismo crítico de Popper admitia o dualismo.
Ele escreveu um livro clássico nessa área, junto c/ o nobel de medicina/fisiologia John Eccles, “O Eu e o seu Cérebro”, no qual sustenta a possibilidade da independência do ego relativamente ao corpo.
Se Popper tinha um compromisso ou comprometimento, era em manter o dualismo filosófico sempre no horizonte.
April 5th, 2008 às 9:20 pm
Carlos Magno,
comentando:
01. Por que então resolveram dizer-se espíritas se não aceitam o sentido das mensagens de Kardec?
Porque há um ditado famoso no Espiritismo que diz que “é preferível rejeitar dez verdades a aceitar uma mentira”. Se tais pessoas não estão convencidas da existência da reencarnação, é seu direito pensar assim e julgarem-se ainda espíritas. O Espiritismo dá essa liberdade de pensamento, e daí as várias divisões no movimento espírita.
Um abraço.
April 5th, 2008 às 10:23 pm
Vitor,
Desculpe-me, prezado, mas esse axioma foi utilizado pelos pseudos do neo-espiritismo exatamente ao contrário: ou seja, desprezaram todas as verdades para acatar uma mentira.
Abraços.
April 5th, 2008 às 10:36 pm
Marcio:
Qual seria o dualismo desse Popper: o corpo destacado do ego?
Tratamos sempre de dois egos, um é a personalidade, o outro é o Espírito propriamente. O corpo físico, no entanto, para os pesquisadores espiritualistas não é considerado uma entidade quanto mais um componente do ego.
O corpo físico não tem volição alguma, suas funções são unicamente biológicas, segundo o comando da mente, através de seu cérebro. Ele é uma sombra do ego e não uma força opositora numa dualidade inexistente no contexto da personalidade.
Poderia esclarecer-me onde estou errado?
April 5th, 2008 às 11:24 pm
Carlos Magno,
não acataram mentira nenhuma. O texto diz:
Simplesmente querem mais provas. Não há problema algum nisso.
Um abraço.
April 5th, 2008 às 11:49 pm
Vitor:
Então não são e nem nunca foram espíritas, caracóis!
April 6th, 2008 às 12:55 am
É de impressionar, meus caros, como não se pode negar qualquer coisa relacionada ao Espiritismo, como toda essa charlatanice ignorante de Gasparetto, sem que esbravejem logo que negar coisas espirituais é negar a Deus ou negar tudo o que é esotérico (e por isso mesmo explicadíssimo pela física quântica!) e todo o mundo espiritual, espiritualidade, e coisas afins… Esses ateus céticos dizem que Gasparetto é fraude só porque eles têm inveja dos espíritas crentes, que conhecem toda a verdade; até mesmo os budistas, hindús e outros poucos BILHÕES de pseudo-espíritas nada sabem, já que desconhecem Kardec e sua ladainha semi-católica de 1850 que PROVA irrefutável e conclusivamente tudo o que diz, dentro dos mais cuidadosos trâmites científicos, e de total bom senso, pois isso pra Kardec era primordial. Ele mesmo não disse: “Toda teoria em manifesta contradição com o bom senso, com uma lógica rigorosa e com os dados positivos que se possuem, por mais respeitável que seja a sua assinatura, deve ser rejeitada”? Então? Quem disse que incorporar pintores de almanaque e fazer pinturas horrorosas com os pés (quero ver um desses “artistas” pintar com o ânus) e mãos contradiz com o bom senso? Só um idiota ateu, cético, materialista, e vascaíno poderia pensar dessa forma!!!
April 6th, 2008 às 1:27 am
Sobre a controvérsia acerca de quem poderia ser considerado “espírita”, cremos ser razoável, ao menos num primeiro momento, considerar as seguintes definições:
Espiritualismo: qualquer doutrina, quer de cunho religioso, quer de cunho filosófico, que admita o fato de o mundo espiritual (ou seja, o mundo apreendido pela intelecção, portanto extra-sensorial, metafísico e incorpóreo) possuir realidade efetiva, do mesmo modo que o mundo material (o mundo apreendido pelos sentidos, portanto sensorial, físico e corpóreo), influenciando-o e sendo por ele influenciado (em que grau, ou de que modo, dependerá da espécie de doutrina “espiritualista” que se siga). Opõe-se o espiritualismo, assim definido, ao materialismo, que não admite a realidade espiritual como efetiva, tudo reduzindo ao material e às abstrações (generalizações) construídas a partir da realidade física perceptível.
Espiritismo: a doutrina, ou o conjunto de doutrinas, que admitem a possibilidade da comunicação física (ou seja, efetuada a partir de meios físicos, sensoriais, capazes de sensibilizar um, ou vários, dos órgãos dos sentidos) entre os vivos e os mortos, a partir da vontade de pelo menos uma das partes e usualmente utilizando a intermediação de uma pessoa por isso mesmo denominada “médium” (porque apresenta-se como um canal, um “meio” – medium – que possibilita a transmissão das mensagens entre a esfera dos vivos e a dos mortos, entre os mundos espiritual e físico, possuindo para tal faculdades psíquicas especiais ou, ao menos, mais desenvolvidas que as das pessoas comuns). A partir dessa pretensa possibilidade de comunicação entre os vivos e os mortos, e supondo-se tacitamente que os mortos (ou ao menos alguns deles) possuam conhecimentos mais efetivos dos princípios últimos da realidade, também se pode denominar “espiritismo” ao conjunto de doutrinas oriundas de tais comunicações; mas aqui já se está numa fase posterior e derivada – o cerne do “espiritismo”, de qualquer espiritismo, é a possibilidade da comunicação entre os vivos e os mortos, entre os mundos físico e metafísico, a partir da vontade de pelo menos uma das partes; tudo o mais (tanto os fenômenos quanto as revelações) é conseqüência disso.
Por outro lado, “reencarnação” poderia ser, a nosso ver, definida com proveito (e definida fora dos conceitos anteriores de “espiritismo” e de “espiritualismo”) como a doutrina, ou o conjunto de doutrinas, as quais admitem que, após a morte (destruição física do corpo material, por velhice, doença, acidente, ou quaisquer outras causas), uma porção do ser vivente (usualmente denominada “alma” ou “espírito”) permanece existindo, de modo temporário ou permanente, podendo voltar a habitar um outro corpo, usualmente sem se lembrar da existência anterior. Há inúmeras teorias acerca da reencarnação, podendo-se, cremos, didaticamente e com proveito, listar as seguintes linhas dicotômicas:
a) admitir que ela se dê em todos os seres vivos, ou somente nos seres humanos;
b) admitir que o corpo físico da nova existência seja aleatório, não tendo nenhuma relação com o corpo físico anterior ou, ao contrário, que os sucessivos corpos físicos assumidos pela “alma” ou “espírito” do ser vivente guardem entre si algum tipo de relação.
A principal distinção entre as várias teorias a respeito da reencarnação, contudo, diz respeito à sua obrigatoriedade (sem contar, evidentemente, a simples negação da reencarnação).
Se se considerar como “reencarnacionismo” o conjunto de doutrinas que postulam a crença na reencarnação compulsória (ou seja, obrigatória), tal posicionamento pode se dar quer por se o considerar simplesmente como uma lei natural (“é assim porque é assim, porque essa é a natureza intrínseca de uma alma, ou espírito”), quer por se o considerar como um meio de aprimoramento moral (“é assim porque nisso há um propósito último, que é tornar a alma, ou o espírito, sucessivamente melhor”). Desse modo, dentro das inúmeras espécies do gênero reencarnacionista, as quais podem variar enormemente entre si, é razoável considerar que se encontram dois tipos fundamentais, conforme explicitado a seguir:
- Reencarnacionismo Cíclico: crença na reencarnação compulsória como uma lei à qual está submetida a alma, ou o espírito, não tendo necessariamente a função de aprimoramento, embora possuindo a vida anterior influência sobre a atual, e a atual sobre a futura; o principal objetivo da alma, ou espírito, nesse caso, é, quase sempre, libertar-se do ciclo de reencarnações sucessivas, visto usualmente como uma prisão, ou sucessão de prisões, devendo para isso conformar-se a uma série de preceitos e disciplinas, mais ou menos complexas. Esse tipo de reencarnacionismo tende a admitir que a reencarnação se dê em todos os seres vivos, e que o corpo físico assumido na nova existência não guarde necessariamente relação com o da existência anterior;
- Reencarnacionismo Evolutivo: crença na reencarnação compulsória como um meio de progressivo aprimoramento moral da alma, ou espírito, servindo as sucessivas reencarnações como um “filtro” e uma purgação dos baixos instintos e paixões. Esse tipo de reencarnacionismo pode admitir tanto a reencarnação em todos os seres vivos quanto somente nos seres humanos, mas jamais assumirá uma postura de índole aleatória (ou seja, sempre admitirá que o corpo físico da nova existência tenha algum tipo de relação com o corpo físico anterior e com o estado atual da alma, ou espírito).
As escolas filosóficas, ou as religiões, que, na Antigüidade, assumiram uma postura reencarnacionista, tendiam a um posicionamento nitidamente “cíclico”: assim foram os órficos (a purgação de uma falta pretérita não pressupõe, necessariamente, um amadurecimento espiritual, ou mesmo uma evolução, sem “quedas”), assim foi Platão (que, no “Timeu”, especula que os covardes e injustos reencarnariam como mulheres, os fracos mas sem maldade como pássaros, os materialistas como quadrúpedes, os ignorantes como peixes e moluscos) e também, posteriormente, toda a tradição neoplatônica. Assim também foi o reencarnacionismo hindu, tanto o que se desenvolveu sob a égide do Hinduísmo quanto o que originou a dissidência budista. A idéia de um contínuo e inevitável aprimoramento, ora mais lento, ora mais rápido, ou seja, de uma “evolução”, da alma, ou espírito, é uma característica especificamente ocidental, que desenvolveu-se lentamente a partir da redescoberta (e releitura) dos escritos platônicos (mais especificamente da “República” e do “Timeu”) na Renascença, atingindo a maturidade entre os finais do séc. XVIII e a primeira metade do séc. XIX, com as obras de Lessing, Saint-Simon, Fourier e Leroux.
Note-se, ademais, que nenhum dos termos gregos utilizados para exprimir o conceito de “reencarnação” refere-se especificamente, ou sequer pressupõe, uma idéia evolutiva. Assim, a) empsychôsis significa (literalmente) “entrada da alma”, “animação”, e é um termo bastante geral, não necessariamente ligado, inclusive, a conotações reencarnatórias; b) metempsychôsis, o termo mais usual para expressar a idéia reencarnacionista entre os gregos, significa “animação (empsychôsis) em série (meta)”, ou seja, “entrada da alma numa sucessão de corpos” – mais uma vez traindo a idéia cíclica, não necessariamente evolutiva; c) ensômatôsis significa “corporificação”, “assunção de um corpo [por uma alma]”, o paralelo “corpóreo” de empsychôsis; d) metensômatôsis significa “corporificação (ensômatôsis) em série (meta), paralelo “corpóreo” para metempsychôsis; enfim, e) paliggenesia significa simplesmente “renascimento”, “regeneração”, “restauração”, constituindo-se também num termo de significação ampla e não necessariamente ligado a conotações reencarnacionistas.
Dizer que os espíritas não-reencarnacionistas “não são espíritas” é algo que não se sustenta, nem lógica, e nem, muito menos, historicamente. A palavra “reencarnação”, como quase tudo da terminologia espírita, originou-se no meio religioso norte-americano dos meados do séc. XIX. “Reincarnation” é atestada, como palavra, em 1854, na obra de Edmund Hamilton Sears (1810-1876) denominada “Regeneration” (Boston, Crosby, Nicols & Co., pág. 221), embora com o sentido de reanimação de um cadáver. O mesmo autor, na obra “Athanasia, or Foregleams of Immortality” (1863, Boston, Walker, Wise & Co., págs. 293-94), opõe a idéia de ressurreição (resurrection), como significando a assunção de um “corpo glorioso”, nos Últimos Dias, à de reencarnação (reincarnation), “reanimation of dead bodies that lie in the graves”. Contudo, desde 1858, pelo menos, já era empregada como um sinônimo mais conveniente para “metempsicose” – mais ainda, como um termo que, em si, implicava uma idéia reencarnacionista evolutiva.
Com efeito, na França, desde a primeira edição de “O Livro dos Espíritos” (1857), encontra-se já a palavra “réincarnation” com a sua acepção atual, e mais, com o sentido preciso de um “reencarnacionismo evolutivo” (Capítulo VII, questões 125 a 127, opondo-se-a inclusive, na questão nº 128, ao termo “metempsicose”, que significaria simplesmente a reencarnação em geral, podendo inclusive dar-se num “ser inferior”, isto é, admitindo a retrogradação). Sem dúvida, foi a escola espírita kardecista que popularizou tal palavra, e com nítidas conotações evolutivas (ela foi dicionarizada pela primeira vez, em língua francesa, no Grand Dictionnaire Universel du XIXe siècle, de Pierre Larousse, edição de 1875). Mas não foi a primeira a utilizá-la em tal contexto, e, muito menos, a inventá-la.
Assim, por um lado, de acordo com as definições acima, é perfeitamente possível ser-se “espírita” sem se ser “espiritualista” – ao se adotar uma visão exclusivamente sensitiva e corporeísta dos fenômenos. Igualmente, é perfeitamente possível ser-se “espírita” sem se ser “reencarnacionista”, ou se ser “reencarnacionista” sem se ser “espírita”. De fato, aceitar a reencarnação nada tem a ver, necessariamente, com admitir a possibilidade da comunicação sensorial, física, entre vivos e mortos, usualmente através de médiuns. Uma coisa não tem obrigatoriamente ligação com a outra, e tanto isso é verdade que a escola espírita anglo-saxã original não era reencarnacionista – embora aceitasse, como os kardecistas, a possibilidade da comunicação física, sensorial, entre vivos e mortos via médiuns; frise-se que na escola anglo-saxã situa-se o berço do espiritismo, e que seus ensinamentos baseiam-se (ou se dizem basear), tanto quanto os do kardecismo, nas pretensas comunicações dos espíritos dos mortos; ela iniciou-se com o próprio espiritismo, a partir dos fenômenos ligados às irmãs Fox (1848), e faz perfilar entre seus destacados membros o visionário e pioneiro Andrew Jackson Davis (1826-1910), o investigador científico sir William Crookes (1832-1919), o entusiasta propagandista sir Arthur Conan Doyle (1858-1930), escritor e criador do famoso detetive Sherlock Holmes, e os médiuns e escritores William Howitt (1792-1879), Daniel Dunglas Home (1833-1886) e William Stainton Moses (1839-1892), entre muitos outros, e apenas para citar alguns dos vultos que são contemporâneos ou imediatamente pós-contemporâneos a Kardec.
Por conseguinte, querer circunscrever o termo “espiritismo” ao espiritismo reencarnacionista evolutivo de Kardec (“kardecismo”), como querem alguns, não tem qualquer base sólida, seja conceitual, seja histórica. Mesmo uma das mais repetidas razões alegadas para tal – a de que o termo “espiritismo” (”spiritisme”) teria sido inventado, ou, ao menos, tornado público pela primeira vez, por Kardec (1857, “Le Livre des Esprits”, prefácio), não mais se sustenta. Deve-se notar que, mesmo que assim fosse, a simples invenção de um nome não dá a seu inventor o monopólio do seu uso lingüístico; a língua é, por assim dizer, livre em sua evolução, seguindo veredas as mais das vezes imprevisíveis.
Mas, de qualquer forma, a origem do nome não é de Kardec, sequer francesa. A própria forma do vocábulo (”spiritisme”) tenderia a sugerir ligação com o inglês “spirit”, não com o francês “esprit”. De fato, Manfred Höfler, em seu “Dictionnaire d’Anglicismes”, Paris, Larousse, 1982, explicitamente considera spiritisme como um empréstimo da forma inglesa spiritism. E, com efeito, a palavra é citada, como termo conhecido, e já com sua atual acepção, na obra anti-espírita de Orestes Augustus Brownson (1803 – 1876), “The Spirit-Rapper: an Autobiography” (Boston, Little, Brown & Company, 1854), págs. 293-94; a citação é suficientemente valiosa para ser exibida “in extenso”:
O mesmo ocorre numa outra obra do mesmo ano de 1854, o “Apocatastasis, or Progress Backwards”, de Leonard Marsh (1800 – 1870), da Universidade de Vermont, editado em Burlington por Chauncey Goodrich. Nessa obra, o autor se esforça por mostrar que todos os “portentos” do “new spiritualism” (que ele chama “spiritism”) não passam de decalques de fenômenos análogos da Antigüidade e que, portanto, nada havia de “novo” nele. Ao longo do livro o termo “spiritism” ocorre dez vezes; como exemplo, no início do capítulo VI, págs. 64-65, onde ele ocorre duas vezes, lê-se (igualmente grifado pelo autor deste trabalho):
Sem se levar em conta as linhas de argumentação de Brownson e de Marsh, o fato é que, em 1854, nos Estados Unidos (três anos antes da publicação do Livro dos Espíritos de Kardec, onde o termo pretensamente teria vindo a público pela primeira vez), a palavra “spiritism” já era um mote comum (e, provavelmente, com uma conotação depreciativa) para se referir aos fenômenos do “new spiritualism”. Não admira que o termo tenha sido rejeitado pelos adeptos da nova filosofia – e, em língua inglesa, o que em Português se denomina “espiritismo” é, ainda hoje, usualmente denominado pela expressão mais respeitável new spiritualism, ou simplesmente spiritualism. O nome spiritism cruzou o Atlântico juntamente com os médiuns e os fenômenos, e acabou por ser adotado por Kardec, numa forma afrancesada (spiritisme), para designar a “nova revelação” – sua “Révue Spirite” contrapondo-se com sucesso à “Révue Spiritualiste” (1858-1869) de Piérart, o antigo professor do Colégio de Maubeuge e posteriormente secretário do barão du Potet de Senevoir, e maior representante da linha “não-reencarnacionista” do espiritismo na França – hoje praticamente esquecido.
April 6th, 2008 às 4:32 am
Debate acalorado, não?
Gilberto. Sua deselegância acaba por descredibilizá-lo.
Vou começar com o José Carlos, visto que o tema central da postagem desviou-se um pouco.
Palavras de Kardec:
“É-se espírita somente porque se simpatiza com os princípios da doutrina, e que com ela se conforma a sua conduta”.
Princípios!!! Ora, um dos princípios da doutrina espírita é a reencarnação. É lógico que nesta bagunça semântica que existe, há católicos que acreditam na reencarnação, judeu que acredita em Jesus messias,etc. Assim como há os que se dizem espíritas, mas negam um de seus prinícipios.
Então quem é o autêntico? O que nega o príncipio ou o que o aceita? Difícil responder?
Se o Vítor quer se dizer “espírita ateu”, mesmo sendo comunicado de que isto não se pode dar sem contradizer-se, não vamos ficar a censurá-lo. Já dei opinião a respeito. Outros também têm o direito de se auto-intitular como quizerem.
Pode-se não concordar com alguns pontos, mas princípios, são princípios. Em todos os livros da codificação, há expressa as conclusões sobre este ponto.Reencontrei um texto de Kardec que passa muito bem de um ponto a outro (reencarnação e o tema central da postagem):
Texto completo:
http://www.espirito.org.br/portal/codificacao/op/op-21.html
A indução é também método científico amplamente usado, como se vê nos exemplos citados acima. Curioso que os cientistas considerem válidas as suas induções no campo das pesquisas físicas (e até mesmo psíquicas, no campo das ciêcias psicológicas) e neguem essa validade na pesquisa espírita. (Herculano Pires)
Agora você, Vitor (desculpe a demora).
Primeiramente, parabéns pela postura democrática.
A respeito da palavra prova, mais uma confusão semântica. O que eu reconheço como prova, as vezes você não reconhece, e vice-versa. Realmente indícios, pra uns constitui prova e pra outros não. Paciência.
Quanto aos espíritas não se entenderem, você tem razão. Em parte. Os verdadeiramente humildes se entendem muito bem sim. Não ficam querendo “estrelar” os médiuns/espíritos de sua preferência, nem perdem tempo com discussões inúteis.
“Você mais se prendeu a picuinhas entre mim e o Zangari”.
Só citei uma vez.
“E?”
O texto está lá. Só dei minha opinião. Quem ler fará seu juízo.
Posso ter exagerado na ironia, mas também!
Se o “objetivo deste site é analisar cientificamente” as obras mediúnicas (supostas), não é prudente postar uma alegação, de quase 3 anos atrás, de um site claramente ateu, sem usar do método proposto por você mesmo.
Aí eu lhe refuto e você me pede pra escrever pra ele?
Mas o ônus é seu não é? Não me interessa nem um pouquinho escrever pro Zangari. Foi você quem postou a “análise”. Devia você mesmo se certificar de que ele executou e se poderia provar o que disse.
A explicação dele, que você julgou “parcimoniosa e prosaica”, pra mim qualquer assistente do Quevedo poderia dar. Afazeres mais importantes? Mas o trabalho dele não é pesquisar estes fenômenos? Ele não é profissional?
Mas já sei. Não te convenci de novo, né. Tudo bem. . .
Só o tempo dirá quem está com a razão. . .
Mesmo assim, você tem tido o mérito de ser muito educado e democrático.
Novamente meus sinceros parabéns.
Abraço a todos.
April 6th, 2008 às 4:59 am
Barreto,
o próprio Kardec disse, na Revista Espírita de junho de 1861, pág. 8:
Veja que Kardec NAO CONSIDERAVA a crença na reencarnação como princípio irrevogavelmente necessário para que alguém fosse chamado espírita. Aí está a prova. Bastava apenas a comunicação com os mortos. Ele também afirma taxativamente que não se ocupa dos dogmas e deixa a cada um a liberdade de suas crenças. Assim, fica provado que podem existir espíritas não reencarnacionistas e mesmo ateus.
E desculpe, mas você não me refutou, simplesmente porque o ônus não é meu. Quem diz que incorpora espíritos são os médiuns pictógrafos. ELES é que tem que provar a alegação. Quem os defende também! A alegação de pintar sobre a influência de espíritos é MUITO mais extraordinária do que a do Zangari, de pintar sem a ajuda de espírito nenhum, com meses de treino. Não escrevo para ele porque como você mesmo descobriu, cortei relações. O objetivo do site continua sendo analiar cientificamente as alegações, e por isso mesmo propus ao final do texto alguns testes com os médiuns pictógrafos. Prefiro testá-los a testar a alegação do Zangari, pois como disse, a alegação deles é muito mais extraordinária, cabendo portanto muito maior número de demonstrações antes de vir a aceitá-la…
Um abraço.
April 6th, 2008 às 2:20 pm
Barreto:
O prezado companheiro talvez tenha imaginado que a conversa entre o Vitor e eu sairia do campo ideológico, ou filosófico. Absolutamente, e já disse aqui que o Vitor é inteligente e educado, mas o pensamento dele é propositalmente dirigido para o sensacionalismo na busca de notoriedade sem se importar com o sentimento religioso.
Não se trata dele ser espírito democrático, não vejo isso nele. Vejo sim uma estratégia montada juntamente com céticos que pululam às dezenas nos blogs da internet, e que se entendem muito bem, por isso, amigo e espírita Barreto, também não posso concordar com sua tática do morde-e-assopra que o amigo lançou, pois você também já foi crítico severo do Vitor. Mas democracia é assim mesmo, graças a Deus, e podemos recuar de nossas opiniões em paz e harmonia tantas vezes quantas desejarmos.
Perdoem a inutilidade da minha não humildade, mas sigo em frente continuando a bater na mesma tecla sem recuar, vendo as nuances discrepantes do neo-espiritismo, sob um ângulo cristalino. Creio, sinceramente, que se há a diversificação na prática do espiritismo, como há, não pode haver a tergiversação dos seus principais postulados, dentre eles o monoteísmo, o carma e a reencarnação. Do monoteísmo até podemos discutir sobre ser ou não ser o deus IEVE dos hebreus o deus único, mas não discutimos a inquestionável existência de uma Força Superior fora do tempo e do espaço, chamado pelos indus de Brahman que criou o universo visível e o invisível em todas as suas grandezas e dimensões.
Se Kardec foi politicamente correto ao mencionar que se pode ser espírita em qualquer religião, e salvo erros na tradução usou o verbo poder, ou seja, “podem ser espíritas”, “podem se comunicar”, não afirmou definitivamente que de fato são espíritas e que se comunicam verdadeiramente com espíritos, segundo os métodos, regras e mediunismo comuns ao espiritismo.
Aliás, esse pensamento de Kardec é comum nas pessoas de pensamento universalista, mas de forma alguma na totalidade dos religiosos do protestantismo, do islamismo e do catolicismo, o que seria uma aberração aos seus dogmas, princípios, credos e cultos. Assim, milhões, senão bilhões de pessoas de ditas religiões não seguem, não aceitam e nem pretendem seguir os postulados do espiritismo. Dessa maneira, o pensamento espírita é um, o religioso cristão, o protestante e o muçulmano são outros, com todas as suas diversificações, segmentos, ortodoxias e denominações. Ponto final.
April 6th, 2008 às 2:28 pm
José Carlos Ferreira Fernandes:
Sua longa exposição é interessante. O termo espiritismo foi realmente associado por Kardec à comunicação com espíritos, do latim Spiritu, mas espiritualista segue outras conotações mais amplas.
Também não era novidade o pensamento reencarnacionista. Não foi Kardec o revelador ou precursor dessa verdade. Sabem os esotéricos, rosa-cruzes, teósofos, e sabiam os rabinos judeus do antigo testamento, que há muitos milhões de anos já havia esses ensinamentos. Os lemurianos, atlantes, egípcios, gnósticos gregos, essêncios, budistas, indus, brâmanes, chineses e todos os sacerdotes na antiguidade, iniciados nos mistérios, sabiam profundamente as causas e efeitos da lei da reencarnação, indissociada ao carma.
Por isso, prezado, não dá para entender os grupos neo-espíritas se dizerem espíritas e não admitir a lei do carma e a reencarnação, com toda a democracia que o pensamento espírita possa facultar. É absoluta e total incongruência; é tentar puxar a beleza e a veracidade da doutrina para pensamentos tacanhos, dogmáticos, congelados num passado popular obscuro, sob a sombra de crenças de que um Deus mitológico conduz os bons aos céus e os maus os joga nas regiões profundas e habitadas por seres infernais.
O espiritismo trouxe mensagem robustecida pelas verdades universais dos sábios iniciados do passado, pois Kardec era maçon, portanto conhecera antes o que professaria depois com o espiritismo.
Abraços.
April 6th, 2008 às 3:20 pm
O ponto principal do Espiritismo está na reencarnação. Bem, como existem atualmente mais pessoas vivas do que o somatório de todas as pessoas que já nasceram e morreram na face da terra em todos os tempos, o Espiritismo explica esse espetacular déficit com a óbvia (para eles) reencarnação entre diferentes planetas (a passagem bíblica “Minha casa tem várias moradas” é usada ad nauseum). Então, onde estão os quadros pictografados de “artistas” extra-terrestres? E as terapias de vidas passadas, em que essas vidas em questão foram em esmagadora maioria em outro planeta? De que planeta essas pessoas vieram? E por que todos que fazem essa “terapia” dizem que vieram daqui mesmo? Como disse Einstein: “Um indivíduo que sobrevive à sua morte física é uma noção que vem do medo ou do absurdo egoísmo de uma alma enfraquecida.”
April 6th, 2008 às 3:51 pm
Carlos Magno disse:
Creio, sinceramente, que se há a diversificação na prática do espiritismo, como há, não pode haver a tergiversação dos seus principais postulados, dentre eles o monoteísmo, o carma e a reencarnação.
Kardec aceitava a diversidade de pensamentos e de crenças, e ainda considerava tais pessoas como espíritas. As diferenças de pensamentos nos principais postulados, como a não-crença na reencarnação, simplesmente torna tais adeptos espíritas não-kardecistas, mas ainda espíritas.
No link
http://www.uib.es/catedra_iberoamericana/publicaciones/burnout/apendices/anexo1.pdf
você pode inclusive conferir que
em 1953 a FEB declara que os umbandistas poderiam ser considerados espíritas, o que causa reações no movimento.
Espiritismo e Kardecismo não são sinônimos, como o senhor José Carlos bem demonstrou, ao referir-se à origem da palavra, que não foi criada por Kardec.
April 6th, 2008 às 4:11 pm
Vitor:
A recente etimologia da palavra não altera o significado real dos fatos antigos.
Há e sempre houve espiritismo entre aborígines e povos primitivos da África e de outros continentes. Não é essa a prática de que estamos falando, você sabe bem disso.
Não se deve confundir as coisas, estamos falando basicamente da doutrina kardecista, de sua codificação que se espalhou pelo Europa e pelo mundo sob a denominação de Espiritismo. Poderia ter sido outro nome, mas ele preferiu derivar de spiritu.
Era a esse Espiritismo codificado que evidentemente Kardec se refereria. Por que iria se referir a cultos fetichistas, primitivos? Nem seria cabível colocar isso nas religiões, haveria protestos justificados.
April 6th, 2008 às 5:07 pm
Carlos Magno,
comentando:
01- A recente etimologia da palavra não altera o significado real dos fatos antigos.
Se há um significado recente que querem colocar é o de igualar espiritismo a kardecismo, o que não se justifica historicamente, já que Kardec sequer foi o criador da palavra.
02- Há e sempre houve espiritismo entre aborígines e povos primitivos da África e de outros continentes. Não é essa a prática de que estamos falando, você sabe bem disso.
Não tenho a menor idéia a que prática você se refere como espiritismo entre os aborígenes. Mas, muito provavelmente, Kardec se referiria a tais povos como espíritas também.
03-Não se deve confundir as coisas, estamos falando basicamente da doutrina kardecista, de sua codificação que se espalhou pelo Europa e pelo mundo sob a denominação de Espiritismo.
O Kardecismo não se espalhou pelo mundo, havendo várias divisões. Já o Espiritismo sim. Inclusive na Revista Espírita de 1869 - logo já no fim da vida dele - Kardec se refere ao espiritismo americano e europeu, logo cadê a unidade? Hoje o Kardecismo está restrito basicamente ao Brasil.
04-Poderia ter sido outro nome, mas ele preferiu derivar de spiritu.
Na verdade, segundo a excelente pesquisa do senhor José Carlos, ele derivou de “spirit”, palavra inglesa.
05- Era a esse Espiritismo codificado que evidentemente Kardec se refereria.
Você é médium de Kardec para entender o que se passava de mais íntimo em sua cabeça? Se Kardec se referisse a um espiritismo codificado, não diria que se encontravam espíritas nas mais diversas religiões, nem que havia um espiritismo americano e outro europeu. Um espiritismo comum a todos era onde ele queria chegar, mas não negava a denominação de espírita a pessoas de outras religiões ou outros princípios.
06-Por que iria se referir a cultos fetichistas, primitivos? Nem seria cabível colocar isso nas religiões, haveria protestos justificados.
Isso ele próprio responde na Revista Espírita de 1861:
Um abraço.
April 6th, 2008 às 9:03 pm
Vitor,
Acho que seu problema é desejar chegar hoje aos 50 comentários, uma vez que seu blog esteve estacionado por semanas.
Você está se tornando redundante, fingindo não entender o que eu escrevo claramente, colocando exertos espíritas que dão margem a outras interpretações, somente para alongar o assunto.
Essa última colagem chega a ser ridícula, não tem nada a ver sobre o que expus e que você entendeu perfeitamente. Além do mais, a revista espírita é somente revista, qualquer jornalista ou colunista pode dizer o que quiser, como o seu amigo que escreveu aquele gigantesco comentário. Eu disse spiritu, do latim, ele disse spiriti do inglês. Qual é o mais antigo, professor? E qual a importância real desse detalhe? Que futilidade!
Não seja escravo da letra como são tantos filólogos, que não raciocinam com seus cérebros e vivem a repetir a opinião alheia. Copiam, copiam e copiam, achando que com teorias livrescas vetustas cheirando a naftalina e com erudição semântica, conhecem a verdadeira história da humanidade. Sonhos de uma noite de verão!
Você quer se fingir de desentendido. Você sabe muito bem que primitivas etnias até hoje realizam rituais invocando espíritos. E por que não chamar suas práticas também espiritismo, se além do mais sempre acreditaram na reencarnação?
Vitor disse:
“Você é médium de Kardec para entender o que se passava de mais íntimo em sua cabeça?”
Questão mais do que ridícula, pensamento anômalo, decepcionante, argumento zero, sem outro comentário.
Vitor, noto que você está colocando o assunto em termos pessoais, ao mesmo tempo quer aumentar a média de comentários. Não pense que vou seguir fazendo seu joguinho. Por favor, apresente melhor qualidade nas suas réplicas!
April 6th, 2008 às 9:23 pm
Carlos Magno,
comentando:
01-Além do mais, a revista espírita é somente revista, qualquer jornalista ou colunista pode dizer o que quiser.
Foi o próprio Kardec quem falou sobre o Espiritismo estar em todas as religiões. Veja bem, o Espiritismo, não o Kardecismo.
02-Eu disse spiritu, do latim, ele disse spiriti do inglês. Qual é o mais antigo, professor? E qual a importância real desse detalhe? Que futilidade!
A importância está em buscar a origem do termo. A raiz da palavra ajuda nessa busca. Assim, o senhor José Carlos pôde localizar livros anteriores ao Livro dos Espíritos de Kardec, livros da literatura inglesa, que já se utilizavam do termo Espiritismo.
03- Você quer se fingir de desentendido. Você sabe muito bem que primitivas etnias até hoje realizam rituais invocando espíritos. E por que não chamar suas práticas também espiritismo, se além do mais sempre acreditaram na reencarnação?
E quem negou o direito de chamá-las de espiritismo? É espiritismo. Simplesmente não é espiritismo kardecista.
April 6th, 2008 às 9:42 pm
Vitor
eu concordo com você quando diz que, não vamos acreditar só porque médiuns dizem estar incorporando espíritos e fanzendo pinturas, não sou fã de Gasparetto, e não o estou defendendo, o que acho estranho é você ter baseado suas conclusões em cima do que diz Zangari, se nem provas têm, só a palavra dele de que realmente imita alguma coisa, por isso acho fraco esse argumento. Para explicar as assinaturas, você bem sabe que o espíritismo as têm, só que isso vocês não aceitam, mas no que Zangari diz (sem provas) sim.
Concordo com o barreto, se o objetivo do site é analisar cientificamente as obras mediunicas, particularmente não vejo nada de científico nas alegações de Zangari, concordo também que você devereia se certificar de que ele realmente o fez, assim, a mim, não ficaria a confusão do porque quando espíritas alegam alguma coisa, têm que provar (mesmo que céticos não aceitem prova alguma vinda de espíritas), de forma clara e incontestável, e quando vêm de céticos, qualquer coisa serve.
Estou gostando muito de seu site, se me permite sugiro, pra que continue interessante, e não se torne um site igual ao Religião é Veneno (que hoje, raras exceções, pra mim, não existe ninguem decente postando, devido a baixaria) tome cuidado com pessoas como Gilberto, que dá nojo ler suas postagens, veja se isso é coisa que se diga num site - quero ver um desses artistas pintar com o ânus -muito nojento.
obrigado pela atenção.
April 6th, 2008 às 9:50 pm
em tempo:
Carlos Magno, espero que não abandone este site, um dos motivos dele ser interessante se devem a suas postagens, que pra mim são nota 1000!
April 6th, 2008 às 11:43 pm
Angus:
Você é do sexo feminino? Seu nome não deixa claro, desculpe.
Grato por suas palavras. Não pretendo deixar de comentar, e de “brigar” com o Vitor, mas de vez em quando preciso me ausentar para tratar exclusivamente de meus afazeres. Mas estando por perto será sempre uma prosa boa, mesmo sabendo que o Vitor não lê em nossa cartilha.
Abraços.
April 6th, 2008 às 11:49 pm
Vitor:
O Espiritismo, longe de ser o antagonista da religião, dela é o auxiliar; e a prova é que reconduz às idéias religiosas aqueles que a haviam repelido. Em resumo, jamais aconselhou mudar de religião, nem de sacrificar as suas crenças; não pertence em particular a nenhuma religião ou, para dizer melhor, ele está em todas as religiões.
Quando você fizer colagem, por favor, destaque bem seu comentário do texto alheio. E se o resumo é seu e não do jornalista, é também sofrível.
E por acaso eu disse que o espiritismo era rival das religiões? O que é de fato espiritismo e o que é mediunismo.
O Velho Testamento relata vários fatos mediúnicos; as vestais e sacerdotes de todas as civilizações e antigas culturas eram médiuns, pois esse é um ciclo astral de desenvolvimento de toda a humanidade desde os tempos de Atlântida.
Todos sabem que Kardec codificou o espiritismo em termos de filosofia, que mais tarde tornou-se religião. O espiritismo antes de Kardec era simplesmente práticas mediúnicas, tanto na Europa quanto na América.
É notório que as Irmãs Fox fundaram na América e Inglaterra uma associação espírita, cujas práticas chamavam espiritualismo. Mas eram meramente práticas fenomênicas, nada comparável à organização genial de Allan Kardec.
Agora vem você falar do cardecismo, como se fosse algo que pudesse ser compararado com outro espiritismo. Que outro espiritismo pode comparar-se em inspiração, assistência e filosofia com esse instituído por Kardec? Se existe algum esforço de médiuns que se dizem não reencarnacionistas, o problema é deles, pois inventaram uma religião. O espiritismo de Kardec, ao contrário desses pseudos, veio por Revelações e ainda é militado por espíritos de tradição iniciática que são sábios e mestres da sabedoria.
Vitor disse:
Em resumo, jamais aconselhou mudar de religião, nem de sacrificar as suas crenças; não pertence em particular a nenhuma religião ou, para dizer melhor, ele está em todas as religiões.
E por acaso eu escrevi algo em contrário do que você postou? Além do mais quando Kardec, que era um iniciado nos mistérios e na sabedoria antiga, fala que o espiritismo longe de ser antagonista da religião, dela é auxiliar, não diz do trabalho mediúnico, nem da codificação espírita, ele fala, evidentemente, de uma identificação com o Espírito Universal que está presente em todas as pessoas, caro Vitor.
E está presente nas religiões cristãs, que não têm culpa das burrices humanas de não perceberem em suas escrituras várias referências à reencarnação e a lei do carma. Paciência. NÃO PRECISA SER MEDIUM DE KARDEC PARA SABER-SE DISSO; é lógico e sensato aos estudiosos da espiritualidade. Por isso falei que Kardec não podia estar se referindo ao espiritismo fetichista. Entendeu agora prezado?
Mas se você teimar em buscar na letra todas as verdades (suas), estaremos muito mal, porque o verdadeiro analista espírita e o esotérico precisam transcender à letra, do contrário mata-se o pensamento, escravizando-se ao invés de se libertar do mundo. E Kardec não desejaria isso, tenho certeza.
April 7th, 2008 às 12:05 am
Será que essa é a página certa? Achava que se tratava do ridículo Gasparetto, e não de embates longuíssimos sobre outras coisas. Quanto ao ÂnGus, não precisa me repetir, se tem tanto nojo, não leia o que escrevo (se já não leu isso…). Falando sério, desculpe se faltei com o decoro, pelo menos não pretendo atacar ninguém, como certas pessoas fazem neste blog. É simplesmente que não dá pra aguentar Gasparetto. É muita fraude e insensatez junta. É impressionante como todo espírita que conheço o cita pra afirmar como o Espiritismo é cheio de prodígios e sobrenaturalmente poderoso.
April 7th, 2008 às 12:50 am
Meus comentários são “gigantescos” porque, dentro de minhas limitações, procuram ser cuidadosos, não afirmando (ou, ao menos, tentando não afirmar) nada gratuitamente, sem evidências, por mínimas que sejam.
É claro que o termo latino “spiritus” é anterior ao francês “esprit”, ou ao inglês “spirit”, mas esse não é o caso sob análise, e nem o foco da discussão. Quanto a isso, o que se analisou, especificamente, foi a origem da palavra “spiritisme” (fr.), ou “spitirism” (ingl.). E puderam ser mostradas evidências de que, ao contrário do que dizem os kardecistas, o termo não foi empregado pela 1ª vez em 1857, na 1ª edição do “Livro dos Espíritos”; ao contrário, entrou na língua francesa por via inglesa (sendo usado nos EUA como palavra de emprego comum pelo menos três anos antes de 1857) como um anglicismo (como reconhece o próprio “Dictionnaire d’Anglicismes” de Höfler). Isso é um fato, para o qual foram mostradas evidências.
É também claro que se pode chamar qualquer evocação de mortos (isso é, qualquer necromancia) de “espiritismo”. Contudo, as definições têm de ser tanto úteis (e, quanto a isso, delimitadas em seu escopo) quanto historicamente consistentes, para se dizer o mínimo. Algumas traduções bíblicas atuais, p.ex., utilizam inclusive a palavra “espiritismo” quando falam das condenações da lei mosaica à necromancia; isso, em nossa opinião, é algo exagerado e inexato, para não dizer desonesto. Embora a necromancia em si seja, talvez, quase tão velha quanto a Humanidade, parece-nos que determinadas escolas que amadureceram a partir dos meados do séc. XIX, e que usaram a necromancia como um de seus instrumentos, têm um suficiente grau de identidade entre si, e de diferenciação em relação a outras práticas da espécie, de modo a merecerem uma caracterização específica. Daí a definição proposta anteriormente para “espiritismo”.
E, ao contrário do que vem sendo sugerido nalgumas postagens, o “espiritismo”´(tanto o fenômeno quanto a própria palavra!) não surgiu na França, com Kardec, e sim nos EUA. Se alguém, por assim dizer, tem “direitos históricos” sobre essa denominação, seria a escola anglo-saxã (não-reencarnacionista), jamais a escola francesa reencarnacionista cíclica desenvolvida por Rivail sob o “nom-de-plume” pseudo-celta e pseudo-druídico de “Alan Kardec”.
Agora, mais algumas evidências.
É um fato histórico bem estabelecido (embora muitas vezes esquecido, ou convenientemente ignorado, pelos kardecistas brasileiros) que o espiritismo originou-se no meio anglo-saxão, inicialmente norte-americano, depois britânico. Sua origem liga-se diretamente, nos Estados Unidos, ao recrudescimento da religiosidade protestante conhecido como o “Segundo Avivamento” (“The Second Awakening”), ocorrido na primeira metade do séc. XIX. Esse movimento de pregação entusiasta do Evangelho, com ênfase em seus aspectos puritanos (a necessidade de uma vida sem vícios, regrada, ordeira e produtiva como um caminho para Deus), milenaristas (a iminente “segunda vinda” de Cristo e o inexorável Juízo Final) e místicas (o contacto mais íntimo e mais freqüente com o mundo espiritual, a experiência íntima de relacionamento com Deus, o recebimento direto de “revelações” divinas) desenvolveu-se, no período em apreço, basicamente em três regiões distintas: a) na Nova Inglaterra; b) na região oeste do estado de Nova York, e c) na região dos Apalaches, adquirindo em cada um desses focos características distintas (as missões inter-denominacionais enviadas às regiões do Oeste na Nova Inglaterra; a criação de novas denominações em Nova York; os “camp meetings” típicos da região apalachiana).
No geral, o movimento era uma reação às tendências intelectualistas e cientificistas da sociedade, que vinham tomando forma na Europa desde o estabelecimento da “nova ciência” (a qual se resumia, no fundo, à matematização da Natureza) no séc. XVII, e que tinham ganho novo impulso com o Iluminismo, a Revolução Francesa e o estabelecimento da nova sociedade industrial, a partir do último quartel do séc. XVIII. A “onda materialista” havia enfim atingido a nova nação norte-americana, cuja população era ainda, em sua virtual totalidade, constituída por crentes das diversas correntes protestantes, que tinham na leitura da Bíblia e na vida religiosa de suas pequenas comunidades a própria base de sua vivência espiritual – e esse choque gerou uma reação. Contudo, mesmo essa reação se fez dentro do espírito da época, ou seja, dentro de uma linha “experimental” e “cientificista”, ou que se pretendia como tal: a vivência com o divino adquiriu tons cada vez mais imanentes, e cada vez menos transcendentes; sentia-se que se podia “provar”, em termos científicos, a existência e a ação de Deus, bem como a existência de um mundo “espiritual” e a sua interação com o mundo físico.
Especificamente nessa vertente começaram a se desenvolver fenômenos de índole “proto-espírita”, quando as manifestações do divino no mundo “físico” passaram a ser concebidas em chave exclusivamente “materialista”, ou seja, sensível.
A região oeste do estado de Nova York, especialmente a área compreendida entre o lago de Ontário e as montanhas Adirondack, era ainda uma região de fronteira no primeiro quartel do séc. XIX; sua estrutura religiosa contava com um número muito pequeno de pastores formalmente ordenados; as famílias, no geral, promoviam a sua própria instrução religiosa, desenvolvendo-se a leitura em bases domésticas, centrada na Bíblia (na canônica versão do rei Jaime); era intensa a piedade popular, a par de um sentimento de individualismo e de independência com relação às grandes denominações religiosas. Foi nesse ambiente que Charles Grandison Finney (1792-1875), originário de Connecticut, ex-advogado e ministro presbiteriano, pregou entre 1821 e 1835, com considerável sucesso, um Evangelho que enfatizava a ação direta do Espírito Santo no indivíduo como muito mais eficaz do que um estudo teológico formal; e é a ele que se deve a expressão “Burned-Over District” (“Região Abrasada”, ou “Queimada”) para se referir a toda essa área – pois, segundo ele, a sua população havia sido de tal modo “consumida” pelo zelo evangélico, o qual “ardia em seus corações”, que ninguém mais faltava para ser convertido (ou seja, nada mais havia para “queimar”).
Nesse “Burned-Over District”, paralelamente à, ou na esteira da, pregação de Finney, surgiram muitas outras e novas manifestações de religiosidade as quais, calcadas no Cristianismo tal como entendido pelas correntes protestantes populares, iam-se dele progressivamente apartando:
a) já em 1785, James Whittaker, líder da comunidade religiosa milenarista denominada os “shakers” (uma dissidência de “quackers” de Manchester, Inglaterra, ocorrida em 1772, e desde 1774 com seus membros estabelecidos na colônia, depois estado, de Nova York), havia fundado a comunidade de “Mount Lebanon”, o coração de toda a comunidade “shaker” dos Estados Unidos; Mount Lebanon desenvolveu-se grandemente ao longo de toda a primeira metade do séc. XIX – sua produção agrícola esmerada, com a cuidadosa seleção de sementes, sua simplicidade e funcionalidade na arquitetura e no mobiliário, e a vida escrupulosamente regrada, virtuosa e puritana de seus adeptos ganharam a admiração de muitos; uma das características do milenarismo e do misticismo exacerbado das comunidades “shakers” eram as suas reuniões com música e dança, onde uma série de experiências catárticas podiam ocorrer – inclusive a comunicação com os espíritos dos mortos, a fim de que pudessem fornecer testemunhos edificantes, ou de que pudessem ser consolados; entre 1837 e 1844, por sete anos ininterruptos, uma série de “comunicações dos mortos” mediante pancadas (“raps”) ocorreram em Mount Lebanon – e, ao contrário de outras denominações, onde isso seria considerado como obra diabólica, entre os “shakers” o fenômeno foi visto (dentro de seu espírito milenarista) como o anúncio de uma nova era;
b) perto de Palmyra, no ano de 1823, Joseph Smith Jr. (1805-1844), ao que se diz, recebeu do anjo Moroni as tábuas de ouro que, traduzidas para a língua inglesa, converter-se-iam no “Livro de Mórmon”;
c) William Miller (1782-1849) começou desde 1831 a pregar na região a vinda iminente de Cristo, o fim do mundo e o Juízo Final, os quais ocorreriam em 1843 (depois recalculados para 1844); sua mais famosa discípula foi Ellen G. White, que fundaria o ramo dos “Adventistas do Sétimo Dia”;
d) em 1848, em Hydesville, no mesmo “Burned-Over District”, iniciaram-se os fenômenos ligados às irmãs Fox.
Na esteira de toda essa efervescência mística começou a tomar forma na região um posicionamento religioso específico, com três características distintas:
a) iminência de uma grande renovação moral interior do ser humano, tendo como base a Bíblia, que era, contudo, interpretada em termos estritamente pessoais, pretensamente “lógicos” (isto é, não-dogmáticos) e de forma independente (e logo antagônica) à das correntes religiosas protestantes tradicionais estabelecidas;
b) existência efetiva de um “mundo espiritual” perceptível e observável, em condições objetivas, dentro das novas conquistas da “ciência”, a qual ver-se-ia obrigada, finalmente, a curvar-se diante dessas evidências e enfim admitir a sua existência;
c) comunicação sensorial, física, com os espíritos dos mortos, por meio de intermediários humanos privilegiados; tal comunicação viabilizaria, com suas revelações, a esperada renovação, e seria essa usualmente facilitada por uma situação de transe, obtida a partir de técnicas mesmeristas.
A esse posicionamento, para colocá-lo em oposição ao “materialismo” que então se percebia no mundo, deu-se o nome de “espiritualismo” (“spiritualism”); para diferenciá-lo do conceito filosófico geral e abstrato de “espiritualismo”, bem como para assinalá-lo como algo de fundamentalmente novo, revelador e revolucionário, passou-se a utilizar a expressão “novo espiritualismo” (“new spiritualism”). Seu elemento catalisador foi Andrew Jackson Davis (1826-1910).
Nascido em Blooming Grove, no Hudson, estado de Nova York, e desde 1838 estabelecido, com a família, em Poughkeepsie, no mesmo estado, Davis tomou conhecimento das técnicas mesmeristas de “magnetismo animal” e transe induzido em 1843, aparentemente sem conseqüências; em 1844, contudo, foi objeto de uma “iluminação”, sendo instruído, em transe (segundo ele próprio), pelos espíritos de Galeno e de Swedenborg, adquirindo também (ao que se diz) dons de clarividência e de cura. No curso de uma série de demonstrações de seus pretensos poderes, chamou a atenção do músico Lyon e do pastor Fishbough; o primeiro seria o seu “magnetizador”, o segundo o seu “escriba”. A partir de novembro de 1845, e por 15 meses consecutivos, a atuação dos três resultou na obra “The Principles of Nature, Her Divine Revelations, and a Voice to Mankind”, publicada em 1847. O livro consistia basicamente de três partes: na primeira expunha-se uma filosofia mística de índole panteísta; na segunda havia uma série de comentários aos livros do Antigo Testamento (negando-se-lhes a infalibilidade) e ao ministério de Cristo (considerando Jesus como um grande reformador moral, mas negando Sua divindade); na terceira, eram delineados princípios gerais para a condução da sociedade, de características que poderiam ser definidas como “socialistas utópicas”. A partir desse ponto, o “new spiritualism”, para todos os efeitos práticos, tornou-se algo distinto das denominações cristãs.
Nesse primeiro livro de Davis (pois ele, escritor prolífico, escreveria muitos mais, cerca de 30, entre 1845 e 1885), há um trecho que é sempre citado como representando uma predição do início oficial da “nova revelação”, e referente aos fenômenos de Hydesville (págs. 675-76): “É verdade que os espíritos comunicam-se entre si, ainda que alguns se encontrem encarnados e outros vaguem nas altas esferas – e tal influxo ocorre mesmo quando a pessoa não o sente, não tendo por conseguinte consciência dele. E isso será em breve demonstrado com uma evidência física; e o mundo irá alegrar-se com o início de uma era na qual o interior dos seres humanos abrir-se-á, e a comunhão espiritual será estabelecida, de modo idêntico ao já gozado pelos habitantes de Marte, Júpiter e Saturno.” No ano seguinte as irmãs Fox iniciaram, formalmente, aquilo que é hoje considerado o espiritismo.
Na seqüência dos fenômenos de Hydesville, o movimento “espiritualista” espalhou-se; o primeiro grupo experimental foi o “New York Circle”, de 1851; por sua iniciativa, uma “New York Conference” foi formada no mesmo ano, e em 1852 realizou-se um primeiro congresso espiritualista geral, em Cleveland. Coisas fantásticas começaram a ocorrer: médiuns curavam com a imposição das mãos, os espíritos de Mozart, Beethoven e Weber reapareciam para tocar; grupos privilegiados podiam esperar atenção especial, como o de Mountain Cove, onde, entre 1851 e 1852, “baixaram” todos os profetas bíblicos e os apóstolos. A propagação da “boa nova” fez surgir adeptos de Boston a Manchester, e de Long Island a Cincinnatti; também começou a arrebanhar convertidos entre gente de destaque, dentre outros o governador Tallmadge de Wisconsin, o abolicionista William Lloyd Garrison, os professores Britten, David Wells, Bryant e Bliss, da Universidade da Pensilvânia, e muitos outros. De acordo com uma estimativa do “Spirit World”, havia em 1851 cerca de 100 médiuns trabalhando em Nova York, e de 50 a 60 círculos espíritas na Filadélfia. O “North American Review” escreveu, em abril de 1855, que a Associação Espiritualista da Nova Inglaterra estimava o número de espiritualistas nos Estados Unidos na casa dos dois milhões (um número muito provavelmente exagerado). Sem dúvida, estava-se numa “nova era”.
Juntamente com a expansão do movimento surgiu uma imprensa espiritualista bastante ativa: ao “Univercoelum” (1847) e seu sucessor “Spirit Messenger” (1849) de Springfield, ligados a Andrew Jackson Davis, seguiram-se o “The Spiritual Philosopher” (a partir de julho de 1850; seu título passaria a ser, no ano seguinte, “Spirit World”), o “Shekinah” (1852, ativo por 18 meses), o “Spiritual Telegraph” (1852, ativo até 1860), o “Christian Spiritualist” (1854-57), o “The Banner of Light” de Boston (de 1857, e que ainda existia na década de 1930) e muitos outros periódicos, sem falar, obviamente, nos livros lançados pelos expoentes do movimento.
Por tudo o que se falou até aqui (ainda que de forma breve e bastante resumida), queda-se perfeitamente claro que a origem do espiritismo, tal como hoje é praticado e entendido, encontra-se no meio protestante popular norte-americano da primeira metade do séc. XIX, como uma reação às tendências materialistas que então se desenhavam na sociedade ocidental. A possibilidade da comunicação física, sensorial, entre vivos e mortos (inicialmente a partir de meios bastante “primitivos”, como as pancadas – “raps” – e as “mesas girantes” – “table turning”); a idéia de se poder perscrutar o sobrenatural de modo “experimental” e “científico”; a ênfase num comportamento moral honesto e correto, dir-se-ia “burguês”; a existência de pessoas privilegiadas no que concerne ao relacionamento com as esferas espirituais; a crença de que o novo movimento haveria de se constituir numa “nova revelação”, que daria seguimento e cumprimento ao evangelho cristão; até mesmo a nomenclatura utilizada (“medium”, “spiritualism”, e mesmo “spiritism”, são termos oriundos desse meio e dessa época, depois passados aos movimentos similares na Inglaterra e na França) e os fenômenos observados (os “raps”, as mesas girantes, o aparato da sessão mediúnica…), tudo isso, enfim, que caracteriza perfeitamente o espiritismo, iniciou-se nos Estados Unidos e, mais especificamente, no “Burned-Over District”.
Na primavera de 1853, depois de ter passado pela Inglaterra, a febre do “new spiritualism”, seus espíritos “batedores” (“raps”) e suas mesinhas girantes enfim atingiu Paris; entre a primavera de 1854 e o início de 1855, um certo Hippolyte-Léon Denizard Rivail tomou conhecimento dos fenômenos, por insistência de dois amigos seus, Fortier e Carlotti.
Calcado num ambiente em que a leitura da Bíblia era bastante comum, não admira que o espiritismo da escola anglo-saxã histórica não fosse reencarnacionista; com efeito, para qualquer pessoa que tenha a Bíblia como uma leitura constante desde a mais tenra idade, e que viva num ambiente impregnado de citações e modelos bíblicos, jamais o reencarnacionismo (e mesmo, quase sempre, a reencarnação) poderia se configurar em algo viável, ou mesmo pensável. Outras influências (não bíblicas) fizeram com que a escola francesa (kardecista) tomasse uma via reencarnacionista (sendo forçada a exercer uma releitura enviesada de textos bíblicos para neles tentar encontrar uma justificativa à reencarnação); a influência do espiritismo francês espalhou tal visão por boa parte da Europa e da América Latina. Mas, muito mais do que a ação dos “espíritos”, tem-se aqui a ação objetiva dos “encarnados”.
De fato, um reencarnacionismo “evolutivo” (que não existia nos antigos, nem em Platão, nem nos neoplatônicos) somente pôde desenvolver-se a partir dos finais do séc. XVIII, quando, à luz do Iluminismo em voga, associou-se a “reencarnação” ao “progresso”. Quanto a isso, o pioneiro foi Gotthold Ephraim Lessing (1729-1781), especialmente no seu opúsculo de 1780, “Die Erziehung des Menschengeschlechts” (“A Educação do Gênero Humano”). As seguintes citações são paradigmáticas:
“Então, por que um homem não poderá aparecer muitas vezes neste mundo?” (parágrafo 92)
“Por que uma pessoa não poderia viver mais de uma vida neste mundo? Porventura essa hipótese é tão ridícula apenas porque é de grande antiguidade, e porque o entendimento humano a levou em consideração antes que os sofismas intelectualistas a abafassem? E por que eu mesmo não terei, já, subido penosamente no caminho do aperfeiçoamento os diferentes degraus em que o homem só recebia castigos, ou recompensas terrenas? E por que não irei conhecer, noutra existência, todos os degraus em que os homens recebem o auxílio poderoso dado pela perspectiva de recompensas eternas? Por que não poderia eu renascer, tantas vezes quantas fossem necessárias, para ganhar os novos conhecimentos, as novas capacidades que serei chamado a receber? Fiz tanto numa só9 vez que não valha a pena voltar?” (parágrafos 94 a 98)
A influência de Lessing rapidamente ultrapassou as fronteiras do mundo germânico, atingindo a França, onde influenciou poderosamente Pierre Leroux (1792-1871) e Jean Reynaud (1806-1863).
Leroux tornou as idéias de Lessing em voga a partir da publicação de seu livro “De l’Humanité” (“Sobre a Humanidade”), de 1840. Paradigmáticas são as páginas 215 a 218, das quais retiramos o seguinte trecho: “O ser elevado à dignidade de homem, ao grau de homem, na escala dos seres, não recai, sejam quais forem seus pecados, na condição de irracional. Deus não tem necessidade disso para puni-lo; pois isso não seria melhorá-lo, elevá-lo, aperfeiçoá-lo, senão puni-lo; e Deus não tem por finalidade, em todas as suas punições, senão o aperfeiçoamento dos seres”.
Reynaud repete praticamente a mesma ladainha em sua “Philosophie Religieuse – Ciel et Terre” (“Filosofia Religiosa – Céu e Terra”), de 1854, onde fala de “encarnação contínua das almas”; a seguinte citação é paradigmática: “O gênero humano, se me permitirem semelhante comparação, é como um grupo de estudantes recém-reunidos, diferenciados uns dos outros por causa da idade e dos hábitos adquiridos: uns muito jovens, outros mais desenvolvidos, uns de bons costumes, outros com maus antecedentes e submetidos a um regime mais severo” (pág. 205).
Portanto, o ambiente filosófico-cultural presente na França nos meados do séc. XIX era, quanto à reencarnação, bem diferente daquele vigente nos EUA e mesmo na Inglaterra. Na França “descristianizada” desde o Iluminismo, e anti-clerical desde a Revolução, já estava plenamente estabelecida, ao menos em certos círculos, a doutrina filosófica do reencarnacionismo evolutivo; nos EUA e na Inglaterra, onde a influência das correntes religiosas protestantes era ainda forte, mesmo nos meios intelectuais, e a leitura da Bíblia ainda formava o cerne da educação, o reencarnacionismo era algo não apenas virtualmente desconhecido, mas mesmo impensável.
Não admira que os “espíritos” anglo-saxões revelassem a seus “médiuns” um mundo espiritual não reencarnacionista; e que os “espíritos” franceses, nas mãos de Rivail e de sua “entourage” embebida nas influências de Lessing, Leroux e Reynaud e em todo o mistifório pseudo-celta e pseudo-druídico, revelassem a seus “médiuns” um mundo no qual a reencarnação evolutiva era uma “lei natural”, um “dogma”.
Tanto assim, que o choque das duas correntes espíritas centrou-se quase exclusivamente nisso. Deve-se notar que Andrew Jackson Davis considerou o reencarnacionismo kardecista “uma magnífica casa construída sobre areia” (ou seja, uma doutrina teoricamente bela, mas sem fundamentos sólidos); que Daniel Dunglas Home, numa carta, sarcasticamente observou que “…tinha tido o prazer de encontrar no mínimo doze Marias Antonietas, seis ou sete Marias rainhas da Escócia, incontáveis Luíses e outros reis, e cerca de vinte Alexandres, mas nunca um simples John Smith”; e que o mesmo Home, por ocasião da morte de Kardec, pretensamente psicografou-lhe uma mensagem na qual este peremptoriamente abjurava sua doutrina reencarnacionista (deve-se acrescentar que Kardec ignorou a carreira mediúnica de Home a partir do instante em que este se declarou contra a reencarnação, e que Home, em seu livro “Lights and Shadows of Spiritualism”, de 1877, coloca-se frontalmente contra a doutrina de Kardec, alegando, basicamente: 1º) que Kardec não era médium, não tendo, portanto, nenhuma experiência pessoal efetiva acerca desse tipo de assunto; 2º) que Kardec não havia se servido bem dos médiuns com os quais havia trabalhado; e 3º) que nada do que Kardec havia deixado escrito em “O Livro dos Espíritos” tinha valor do ponto-de-vista especificamente espírita, expressando não o pensamento dos espíritos, mas apenas o pensamento consciente ou subconsciente do próprio Kardec).
A maior oposição à doutrina de Kardec por parte da escola anglo-saxã centrou-se contudo em William Howitt, que a classificou de “lamentável” e “repelente”, acrescentando que, se tal teoria fosse verdadeira, existiriam forçosamente milhões de espíritos que, ao morrerem, teriam procurado em vão, no outro mundo, por seus parentes, filhos e amigos (situação não presente nas comunicações obtidas pelos médiuns britânicos e norte-americanos). Um dos espíritos-guias (“controles”) de Stainton Moses, chamado “Imperator”, havia, por outro lado, ensinado que a reencarnação podia ocorrer em certos casos excepcionais, como uma segunda chance a almas que se haviam por demais aviltado moralmente, tendo, por assim dizer, praticamente perdido a sua personalidade, ou para espíritos superiores em missão especial na Terra. Conan Doyle, por sua vez, ponderou que, sendo algo concernente ao seu próprio futuro, a reencarnação, para um espírito, poderia ser-lhe tão desconhecida e misteriosa como o é para nós (ou seja, que os espíritos poderiam, mesmo quando “desencarnados”, não se lembrar de encarnações anteriores).
A situação nunca chegou a se harmonizar; a divisão entre as duas escolas tornou-se bastante explícita por ocasião do Congresso Espírita Internacional de Liège (1923), levando às conclusões adotadas pela Seção de Filosofia do Quinto Congresso Internacional Espírita de Barcelona, de 1934, já citadas neste portal. A situação permanecia virtualmente inalterada por ocasião do Congresso Espiritista Internacional de Londres (1960), tendo o delegado brasileiro, Hél