Livro Mecanismos da Mediunidade (1960) de Chico Xavier e Waldo Vieira

Correspondências entre os livros “Mecanismos da Mediunidade” de Chico Xavier e Waldo Vieira e “O Átomo” de Fritz Kahn

Introdução 

O livro “A Anti-História das Mensagens Co-Piadas”, de Luciano dos Anjos, traça notáveis semelhanças entre os livros “Mecanismos da Mediunidade”, de autoria do suposto espírito André Luiz, psicografado por Chico Xavier e Waldo Vieira e “O Átomo”, de Fritz Kahn. O livro “Mecanismo da Mediunidade” começou a ser psicografado em 1959, mas a primeira edição só foi lançada em 1960. Segundo Augusto dos Anjos, já havia edições em português do livro “O Átomo” na década de 1950, pela Editora Melhoramentos. A 1ª edição veio sem data, por isso o ano exato é desconhecido. É preciso dizer que o presente caso não se configura plágio, pois afirma-se na obra julgada que o suposto espírito comunicante André Luiz, cujo nome verdadeiro é, segundo o próprio Luciano dos Anjos, Faustino Monteiro Esposel (10.8.1888 - 16.9.1931), serviu-se para a confecção da obra de “estudos e conclusões de conceituados cientistas terrenos” (pág. 6). Tais estudos, portanto, teriam de ser após a morte de Faustino, que morreu em 1931. 

O próprio André Luiz disse, para que não restasse qualquer dúvida sobre este ponto, na página 09: 

Prevenindo qualquer observação da critica construtiva, lealmente declaramos haver recorrido a diversos trabalhos de divulgação científica do mundo contemporâneo para tornar a substância espírita deste livro mais seguramente compreendida pela generalidade dos leitores, como quem se utiliza da estrada de todos para atingir a meta em vista, sem maiores dificuldades para os companheiros de excursão. […] 

Assim, as notas dessa natureza, neste volume, tomadas naturalmente ao acervo de informações e deduções dos estudiosos da atualidade terrestre, valem aqui por vestimenta necessária, mas transitória, da explicação espírita da mediunidade, que é, no presente livro, o corpo de idéias a ser apresentado. 

Ainda sobre a confecção do livro “Mecanismos da Mediunidade”, informa-se que: 

A convite do Espírito André Luiz, os médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira receberam os textos deste livro em noites de quintas e terças-feiras, na cidade de Uberaba, Estado de Minas Gerais. O prefácio de Emmanuel e os capítulos pares foram recebidos pelo médium Francisco Cândido Xavier, e o prefácio de André Luiz e os capítulos ímpares foram recebidos pelo médium Waldo Vieira. (pág. 08) 

Vamos agora, portanto, às correspondências. 

Comparação entre “O Átomo” e “Mecanismos da Mediunidade”

O Átomo

(Fritz Kahn)

Mecanismos da Mediunidade

(Waldo Vieira e Chico Xavier)

01-A. As ondas são medidas segundo seus comprimentos. O comprimento de onda depende da capacidade do emissor, que é o aparelho que causa a agitação. Uma pequena pedra resulta em pequenas ondas de água, um rochedo já provoca grandes ondas. Um contrabaixo produz grandes ondas sonoras, um violoncelo, médias, e um violino, pequenas.

 

01. As ondas são avaliadas segundo o comprimento em que se expressam, dependendo esse comprimento do emissor em que se verifica a agitação.

Fina vara tangendo as águas de um lago provocará ondas pequenas, ao passo que a tora de madeira, arrojada ao lençol líquido, traçará ondas maiores.

Um contrabaixo lançá-las-á muito longas.

Um flautim desferí-las-á muito curtas.

(Capítulo 1, pág. 10, por Waldo Vieira)

02-A. O matemático francês Descartes em 1625 – portanto, cerca de 300 anos antes da descoberta dos elétrons – deduzira, à base de raciocínios matemáticos, que, além dos átomos, havia de existir uma partícula primitiva da matéria, muito menor ainda; dedução esta, que hoje também se acha confirmada. E, o que é mais admirável ainda: Descartes desenhara aquela partícula primitiva de acordo com nossos conceitos atuais, como sendo um “remoinho” que borbulhava do éter celeste, o qual então se presumia existir, como “remoinho etéreo”. 

02. Descartes, no século 17, que, inspirado na teoria atômica dos gregos, conclui, trezentos anos antes da descoberta do elétron, que na base do átomo deveria existir uma partícula primitiva, chegando a desenhá-la, com surpreendente rigor de concepção, como sendo um ‘remoinho’ ou imagem aproximada dos recursos energéticos que o constituem.

 

 

(Capítulo 2, pág. 13, por Chico Xavier)

03-A. Suprindo-se energia a um átomo aquecendo-o de 10º a 100º, os elétrons em primeiro lugar ampliam suas órbitas aos saltos de 1 para 2, de 2 para 4, depois para 9, para 16 e assim por diante. A uma temperatura de cerca de 1000º, os elétrons abandonam suas órbitas em número sempre crescente, e o átomo torna-se pobre de elétrons, ele “ioniza-se”. A temperatura de cerca de 100.000º, os átomos são constituídos apenas por seus núcleos nus. Prosseguindo-se no aquecimento, os núcleos explodem finalmente por entrechoques e descarregam suas partículas.

 

03. Efetuada a alteração, os elétrons se afastam dos núcleos aos saltos, de acordo com o quadrado dos números cardinais, isto é, de 1 para 2 no primeiro salto, de 2 para 4 no segundo, de 3 para 9 no terceiro, de 4 para 16 no quarto, e assim sucessivamente.

Na temperatura aproximada de 1.000 graus centígrados, os elétrons abandonam as órbitas que lhes são peculiares, em número sempre crescente, e, se essa temperatura atingir cerca de 100.000 graus centígrados, os átomos passam a ser constituídos somente de núcleos despojados de seus elétrons satélites, vindo a explodir, por entrechoques, a altíssimas temperaturas.

(Capítulo 3, pág. 17 por Waldo Vieira)

04-A. Se abastecermos os átomos apenas com pouca energia, só serão suspensos e elevados aqueles elétrons que estão longe do núcleo e que, por isso mesmo, vencem facilmente a força de atração deste.

 

04. Se excitarmos o átomo com escassa energia. apenas se altearão aqueles elétrons da periferia, capazes de superar fàcilmente a força atrativa do núcleo.

 

(Capítulo 3, pág. 18, por Waldo Vieira)

05-A. Quanto mais distante do núcleo, mais longo será o salto, tanto mais comprida também a onda produzida, mas tanto menor a sua energia. Quanto mais para dentro no átomo e mais próximo do núcleo o salto se der, tanto mais curta e de maior energia será a onda irradiada.

 

05. Compreenderemos, portanto, que, quanto mais distante do núcleo, mais comprido será o salto, determinando a emissão de onda mais longa e, por esse motivo, identificada por menor energia. E quanto mais para dentro do sistema atômico se verifique o salto, tanto mais curta, e por isso de maior poder penetrante, a onda exteriorizada.

(Capítulo 3, pág. 18, por Waldo Vieira)

06-A. O que os átomos fazem oscilar pela sua agitação, não sabemos o que seja. Não é ar nem água, mas deve ser um meio sutil, correspondente à pequenez dos átomos e ao pequeno comprimento das ondas; chamava-se este antigamente de “éter”. Quando porém Einstein procurou calcular quais devem ser as propriedades desse “éter” para poder transmitir ondas de bilhões de oscilações com a velocidade de 300.000 km por segundo sobre distâncias da luz, as necessárias grandezas matemáticas não puderam ser reduzidas a uma fórmula. As qualidades que tal matéria devia possuir não são combináveis. Ela não pode existir. Foi porque Einstein propôs abandonar-se o conceito do éter e substituí-lo pelo de “campo”. Chama-se de campo o espaço dominado pelas energias de uma partícula de massa.

 

06. Entretanto, o meio sutil em que os sistemas atômicos oscilam não pode ser eqüacionado com os nossos conhecimentos. Até agora, temos nomeado esse “terreno indefinível”, como sendo o “éter”; contudo, Einstein, quando buscou imaginar-lhe as propriedades indispensáveis para poder transmitir ondas características de bilhões de oscilações, com a velocidade de 300.000 quilômetros por segundo, não conseguiu acomodar as necessárias grandezas matemáticas numa fórmula, porqüanto as qualidades de que essa matéria devia estar revestida não são combináveis, e concluiu que ela não existe, propondo abolir-se o conceito de “éter”, substituindo-o pelo conceito de “campo”.

Campo, desse modo, passou a designar o espaço dominado pela influência de uma partícula de massa.

(Capítulo 3, pág. 19, por Waldo Vieira)

07-A. Para podermos imaginar o que seja um campo acendemos uma vela. A região iluminada pela vela é o campo de sua chama. A intensidade luminosa ou intensidade do campo decresce com a distância da vela segundo determinadas fórmulas. Torna-se ½, ¼, 1/8, 1/1.000, 1/1.000.000, etc. O valor da fração será cada vez menor, mas nunca atingirá zero. O campo (teoricamente) alcança o infinito.

 

07. Para guardarmos uma idéia do princípio estabelecido, imaginemos uma chama em atividade. A zona por ela iluminada é-lhe o campo peculiar. A intensidade de sua influência diminui com a distância do seu fulcro, de acordo com certas proporções, isto é, tornando-se 1/2, 1/4, 1/8, 1/16, etc., a revelar valor de fração cada vez menor, sem nunca atingir a zero, porque, em teoria, o campo ou região de influência alcançará o infinito.

(Capítulo 3, pág. 19, por Waldo Vieira)

08-A. Da propagação geral dos elétrons qualquer um de nós poderá convencer-se executando a pequena experiência pela qual o grego Tales, da cidade de Mileto, na Ásia Menor, descobriu a eletricidade, cerca de 600 anos A. C.

Friccionando-se uma caneta-tinteiro com um pano de lã, as bolhas de ar existentes entre as fibras do tecido cedem os elétrons livres a elas aderentes, e estes últimos acumulam-se na caneta-tinteiro, por ser esta um dielétrico. Corpos leves e eletricamente com “carga positiva”, isto é, pobres em elétrons, tais como cabelos, pequenas aparas de papel, etc., serão agora atraídos pela caneta-tinteiro “negativamente carregada”.

 

08. De semelhante propagação, qualquer pessoa pode retirar a prova evidente com vários objetos como, por exemplo com a experiência clássica da caneta tinteiro que, friccionada com um pano de lã, nos deixa perceber que as bolhas de ar existentes entre as fibras do pano fornecem os elétrons livres a elas agregados, elétrons que se acumulam na caneta mencionada, por suas qualidades dielétricas ou isolantes.

Efetuada a operação, elementos leves, portadores de cargas elétricas positivas ou, mais exatamente, muito pobres de elétrons, como sejam pequeninos fragmentos de papel, serão atraídos pela caneta, então negativamente carregada.

(Capítulo 15, pág. 53, por Waldo Vieira)

09-A. A máquina eletrostática ou indutora com que na escola fizemos as primeiras experiências de eletricidade, trabalha segundo o mesmo princípio. Os seus discos de ebonite em rotação “esmagam” como mós as bolhas de ar existentes entre eles, espremendo assim os elétrons frouxamente a elas aderentes. Por intermédio de escovas, esses elétrons são conduzidos a esferas metálicas onde se acumulam até que a “carga” seja suficientemente grande para poder-se extrair em forma de centelha.

 

09. Na máquina eletrostática ou indutora, utilizada nas experiências primárias de eletricidade, a ação se verifica semelhante à experiência da caneta-tinteiro.

Os discos de ebonite em atividade rotatória como que esfarelam as bolhas de ar, guardadas entre eles, comprimindo os elétrons que a elas se encontram frouxamente aderidos.

Com o auxílio de escovas, esses elétrons se encaminham às esferas metálicas, onde se aglomeram até que a carga se faça suficientemente elevada para que seja extraída em forma de centelha.

(Capítulo 15, pág. 53, por Waldo Vieira)

10-A. Nos dias quentes, os agrupamentos de átomos (moléculas) da água ascendem com o ar quente. Nas altitudes frias aglomeram-se formando gotas, que caem devido ao seu peso. A gota que cai sem atingir a terra, por evaporar-se no meio do caminho, encontra-se com correntes ascendentes de ar quente. Pelo atrito que aí ocorre, são extraídos das moléculas de água os elétrons livres a elas aderentes. Os elétrons arrastados para cima pelo ar quente ascendente acumulam-se nas nuvens que, assim, são carregadas de eletricidade. Quando a carga, ou seja, o número de elétrons, tiver atingido determinado valor, os elétrons saltam em forma de centelhas (relâmpagos) para outras nuvens ou para a terra. No relâmpago voltam para a terra os elétrons arrancados das gotas de água.

 

10. Nos dias estivais, os conjuntos de átomos ou moléculas de água sobem às camadas atmosféricas mais altas, com o ar aquecido. Nas zonas de altitude fria, aglutinam-se formando gotas que, em seguida, tombam na direção do solo, em razão de seu peso.

Todavia, as gotas que vertem de cima, sem chegarem ao chão, por se evaporarem na viagem de retorno, são surpreendidas em caminho pelas correntes de ar aquecido em ascensão e, atritando os elementos nesse encontro, o ar quente, na subida, extrai das moléculas d’água os elétrons livres que a elas se encontram fracamente aderidos, arrastando-os em turbilhões para a altura, acumulando-os nas nuvens, que se tornam então eletricamente carregadas.

Quando as correntes eletrônicas aí agregadas tiverem atingido certo valor, assemelham-se as nuvens a máquinas indutoras, em que a tensão se eleva a milhões de volts, das quais os elétrons em massa, na forma de relâmpagos, saltam para outras nuvens ou para a terra, provocando descargas que, às vezes, tomam a feição de faíscas elétricas, em meio de aguaceiros e trovoadas.

(Capítulo 15, págs. 53-54, por Waldo Vieira)

11-A. Explosões semelhantes àquelas das bombas atômicas rompem o invólucro do Sol e são por nós percebidas como manchas solares. Devido à sua carga elétrica, os elétrons perturbam o campo magnético da Terra e provocam “tempestades magnéticas”. As variações eletromagnéticas distorcem as oscilações no rádio e na telefonia. Aumenta o número de temporais e aguaceiros.

Também as “condições atmosféricas” do cérebro humano são perturbadas pelos assaltos de elétrons provenientes das manchas solares. Essas “válvulas eletrônicas” do cérebro humano, microscópicas em sua forma e de milhões de número são perturbadas pelos elétrons vindos do Sol tal qual como válvulas em nossos aparelhos de rádio.

11. Em identidade de circunstâncias, quando o planeta terrestre se encontra na direção de explosões eletrônicas partidas do Sol, cargas imensas de elétrons perturbam o campo terrestre, responsabilizando-se pelas tempestades magnéticas que afetam todos os processos vitais do Globo, — a existência humana inclusive, porqüanto costumam desarticular as válvulas microscópicas do cérebro humano, impondo-lhes alterações nocivas, tanto quanto desequilibram as válvulas dos aparelhos radiofônicos, prejudicando-lhes as transmissões.

 

 

 

(Capítulo 15, pág. 54, por Waldo Vieira)

Luciano não dá o número das páginas de cada respectivo trecho do livro “O Átomo”, mas informa que os referidos trechos encontram-se nas páginas 13, 22, 23, 24, 26, 28, 30, 52, 55, 56, 60, 61, 63.  

Discussão 

Luciano em seu livro “A Anti-História das Mensagens Co-Piadas”chega à conclusão que o alegado espírito André Luís se baseou no livro “O Átomo” e praticamente o ditou aos dois médiuns, alterando levemente os trechos, apenas não cogitando de citar a obra e usar aspas (pág. 173). 

Agradeço imensamente a Luciano dos Anjos por sua pesquisa, embora eu prefira para o caso uma explicação de criptomnésia, que é o termo usado para descrever quando uma experiência já vivida é esquecida, aflorando como se fosse atual. Aqui no presente caso seria a leitura de um texto pelo médium, seguido pelo esquecimento de que leu o texto, e posterior escritura do texto como se fosse material inédito seu. Luciano descarta criptomnésia pois segundo ele: 

 “Francisco Cândido Xavier, se tivesse acesso a essa tradução, não poderia, indiscutivelmente, indubitavelmente, inquestionavelmente, produzir textos anímicos como se fossem mediúnicos. Se isso de repente pôde acontecer, então já não sei mais o que vale na longa produção atribuída por ele aos espíritos. […] Acontecesse isso e estaríamos todos nós sendo enganados em termos de mediunidade” (pág. 174) 

Sejamos humildes. Afinal, o que de fato sabemos sobre mediunidade? Pouquíssima coisa. Carecem estudos mais profundos nessa área. Mesmo gênios ganhadores do prêmio Nobel como John Nash (que teve sua vida retratada no filme “Uma Mente Brilhante”) confundia seres criados pela esquizofrenia – algo que conhecemos bem mais do que a mediunidade – com seres reais. O que dizer de Chico Xavier, que só tinha o primário? Não estou querendo dizer com isso que Chico era esquizofrênico, simplesmente duvido que ele próprio conhecesse tão bem assim os limites entre material anímico e mediúnico.  

Conclusão

A correspondência encontrada entre o livro “Mecanismos da Mediunidade” e “O Átomo” sugere para o autor deste artigo a ocorrência de um fenômeno de criptomnésia tanto em Chico Xavier quanto em Waldo Vieira. Ambos viviam na mesma cidade (Uberaba) quando da feitura do livro, e possivelmente tinham acesso às mesmas fontes. Isso, segundo a regra da Lâmina de Ocham, explica de forma mais simples a confecção do livro, pois não precisamos fazer uso de uma hipótese paranormal.

18 respostas a “Livro Mecanismos da Mediunidade (1960) de Chico Xavier e Waldo Vieira”

  1. Albino A. C. de Novaes Diz:

    Desejo apenas lembrar que antigo curso primário do Chico pode ser comparado ao nosso atual ensino médio em muitos pontos.

    Convém acrescentar que Waldo Vieira não tinha somente o curso primário, seus conhecimentos iam muito além.

    Há um registro histórico envolvendo Chico e o antigo jornalista Davi Nasser - quando o médium foi fotografado sem autorização numa invasão a seu quarto, consultado obras de autores que emprestavam seus nomes a algumas mensagens psicografadas.

    Por certo há alguma coisa estranha em tudo isso e que convém averiguarmos.

  2. Jorge Fernandes Diz:

    Olá Vitor,
    Li os posts com respeito, por terem sido escritos por ti, mas não concordo com a criptomnésia - que me parece não passar pela Lâmina de Ocham. Lembre-se de Quevedo com aquelas criações todas, financiadas pela Igreja Católica…
    Ah! Pergunte a ele quantos tormentos morais ele deve ter passado para cumprir a tarefa…
    De você, espero muito mais.
    O fenômeno Chico Xavier e seus 400 livros é fascinante e requer estudos sérios. Afinal, essa é uma questão importante: existindo vida além da vida, eu não posso fraudar o orçamento da União impunemente (escapo das leis humanas, mas depois reencarnarei como funcionário de Tribunal de Contas…). Eu sei que você entende minhas ironias.
    Até hoje eu não sei se o Chico era um gênio ( e criou suas próprias obras, algumas belíssimas) ou falava a verdade.
    Antes de pesquisar a criptomnésia, seria interessante pesquisar a vida sexual do grande medium de Uberaba (você saberá se ele estava mentindo, se identificar a “vergonha” e a “aceitação do sistema” em sua conduta sexual).
    Tem gente que faz qualquer coisa para ser “servido”!
    Se ele não tinha vergonha da sua feminilidade (como a mim me parece), então eu lhe dou um ponto de crédito.
    Mas sigo pesquisando. Entende?
    Gostei do teu espaço.
    Onde foste achar esse haaan?
    Abraços, frater!
    Jorge

  3. MoonChild Diz:

    Caro Jorge,

    Primeiramente, gostaria de te dar os parabéns pela coragem de fazer o que poucos tiveram corajem (incluindo e especialmente os espíritas) - questionar a sexualidade de Chico Xavier.

    De qualquer forma, peço licença para dar minha opinião sobre o assunto. Ao meu ver, alguns religiosos que vivem uma vida exemplar, pregando sempre o bem para a humanidade, deixam de lado o estigma sexual masculino\feminino, assumindo apenas um caráter humano não sexualizado.

    A impressão que alguns podem ter ao ver homens como Chico e Divaldo falando, ao meu ver não passa de uma má interpretação da bondade contida em seus corações, que muitas vezes se assemelha a angelitude feminina (por assim dizer), ou seja, é reflexo da delicadeza moral que alcançaram.

    Um forte abraço,

  4. Carlos Magno Diz:

    Sr. Vitor Moura:

    O senhor não tem mais nada a fazer? Está querendo se tornar famoso às custas do Chico Xavier, brincando de iconoclasta? Ao invés de ficar procurando chifre em cabeça de burro, o senhor deveria seguir os ensinamentos dos excelsos instrutores do Chico. Ora essa!

    Ramatis nos diz que muitas vezes o espírito comunicador permite ao médium a apôr seu próprio conhecimento num texto mediúnico, porque serve não somente de avaliação do aprendizado do médium, como reafirmação de postulados vigentes no mundo.

    Se há verdades no conhecimento mundano do médium, e o espírito comunicador acusa as verdades, qual a dificuldade de permitir que coincidam algumas palavras retiradas pelo médium de um texto confiável, na comunicação mediúnica? O Chico não era só inconsciente; vi-o receber comunicações e ao mesmo tempo responder perguntas, ou solicitar algo.

    Ademais, para não me estender demasiado, há duas coisas que desejo acrescentar:

    1. Se houve “fraude” nalguma obra do Chico (que é o cerne de sua estranha e maldosa pesquisa) a ira popular deveria recair sobre o espírito comunicador que permitiu que tal acontecesse. Entretanto, quem teria a coragem de imputar tal gravame a tão maravilhosos comunicadores que só nos deixaram pérolas preciosas? O senhor teria esta coragem? Se tiver, venha publicamente acusar os mensageiros do Chico de se terem macomunados com falsificações, pois eles o acompanharam até o final de seus dias. E se o Chico tivesse usado de má fé, ou fosse inconsciente das inserções, eles o teriam, ou repreendido severamente, ou corrigido as distorções, tenha certeza disto.

    2. É sabido nos meios espíritas que comunicadores espirituais possuem vasto conhecimento em todas as áreas do saber humano. Assim, eles inspiram, assistem e estimulam pesquisas para o bem da humanidade a cientistas e técnicos de toda a comunidade científica do mundo, para benefício dos homens. Portanto, o espírito comunicador sob a alcunha A, B ou C, pode perfeitamente ser o mesmo a ter inspirado um físico, matemático ou filósofo a postular certas teorias, ou comprová-las. E com o mesmo pensamento e talvez idêntica terminologia (mesmo noutro idioma) o reedita pela mente de um médio.

    Não vejo qualquer proveito nesta sua pesquisa, senão, ao contrário, colocar em dúvida a lisura de um homem extremamente honesto que fez muito bem em ser auto-didata em determinados assuntos, e declarar-se discípulo de Emmanuel noutros.

    Deixo aqui meu veemente protesto contra sua infeliz e maldosa idéia. Espero mesmo que o senhor não tenha nenhum proveito dela e “dê com os burros n’água”.

  5. Carlos Magno Diz:

    Correção: de: às custas do
    para: a custa do

  6. Vitor Diz:

    Prezado Carlos Magno,

    minha pesquisa não é maldosa, embora possa de fato ser estranha. São pouquíssimas as pessoas que buscam analisar com espírito científico as supostas alegações de paranormalidade deste país. Foi o que resolvi fazer, e para tal, busquei verificar as possíveis fontes que estariam disponíveis para Chico Xavier.

    Acho que as supostas entidades espirituais deveriam ter tido o respeito de ter citado devidamente as obras em que se basearam para a feitura de seus livros, se este foi o caso.

    Fraude não é o cerne de minha pesquisa. Eu, de fato, fui muito cuidadoso com relação a isso, “eliminando” fraude em alguns casos.

    Há uma frase famosa no Espiritismo, que diz mais ou menos assim: “Rejeitai dez verdades a aceitar uma mentira”. Se há dúvidas sobre a origem espiritual das mensagens, não seria importante informar as pessoas sobre isso?

    Um abraço,
    Vitor

  7. Marcelo Silva Diz:

    Vitor , você cismou com criptomnésia, cara…

    A criptomnésia , que eu saiba, é só a lembrança do conceito.
    Lembrança do assunto, do tema; usando palavras repetitivas para afirmar qualquer coisa conceitual.

    No caso do Kardecismo, o Chico Xavier praticamente copia os textos; tanto é que há coincidências de palavras demais.

    È minha humilde opinião.

  8. Gilberto Diz:

    Caros amigos, eu já flertei com o espiritismo, mas tudo o que ele me mostrou foi que não existem verdades, pois as teorias espíritas mudam sempre que a ciência prova coisas em contrário. Mas, ao mesmo tempo, há uma obsessão por se explicar todas as coisas, partindo-se do pressuposto que depois de morto, temos conhecimento de tudo. Os mortos são contatados, e se acertam é assim que deveria ser, mas se erram é porque são passíveis de erro. Dizem que Chico Xavier psicografava em outras línguas, mas esse material nunca foi apresentado. Canalizam pintores e fazem pinturas como os finados artistas, mas nunca canalizam Nureyev e dançam como ele. Fazem regressões hipnóticas, mas nunca aceitam o fato de que essas sessões incitam a criatividade e histórias imaginárias são criadas (o mesmo mecanismo das supostas abduções alienígenas). Falam de reencarnação mas existem hoje mais pessoas vivas do que a soma de todas as pessoas que viveram e morreram na história. Falam de marcianos que reencarnam de e em terráqueos, mas qualquer estudante do ensino fundamental sabe que não há vida em Marte. Falam que Chico Xavier não queria dinheiro, apesar de conseguir algo mais valioso do que dinheiro, ou seja, um império quase divino com o poder de influenciar milhões. Na Bienaldo Livro no Rio havia duas ilustrações gigantes de Kardec e Xavier, retratados como deuses. Em baixo, o maior de todos os stands da feira, faturando alto, como todos os que supostamente nada ganharam com os livros de Xavier, um dos maiores vendedores de livros da história editorial brasileira.

  9. Eduarda Diz:

    Engraçado, lendo estes dois últimos comentários tive a nítida impressão que saíram da mesma pessoa.

  10. Marcelo Silva Diz:

    A cachaça que você bebeu tava estragada, Eduarda?

    São posições questionadoras do Espiritismo e tavez o Gilberto tenha vindo também do Espiritismo e agora o questiona como eu.

  11. Carlos Magno Diz:

    Pelo que você escreve o cachaceiro aki é você. Posições questionadoras devem ser colocadas por quem conhece os dois lados de uma questão, e você, além de grosso, não entende coisíssima alguma do espiritismo. Tagarelar é fácil, ainda mais soltando as pérolas que você solta.

    Aliás, o Gilberto pelo que entendo, era Vasco, virou Flamengo, agora não é nem Vasco nem Flamengo. Está mais perdido do que cego em tiroteio.

  12. Vitor Diz:

    Carlos,

    vc reclamando dos outros serem grosseiros é até piada :)

  13. Carlos Magno Diz:

    Vitor,

    Não sou grosso, prezado, sou objetivo.

    Pode-se rebaixar a moral de uma pessoa literariamente, com silogismo, como você tenta fazer com o Chico. Mas eu não uso desse subterfúgio, adoro a linguagem franca e direta. Possuo também excelente humor, pois isso desopila otimamente meu fígado.

    Quem sabe um dia nossos carmas nos permitam que cruzemos os caminhos sem um saber quem é o outro. Veria que não sou mal educado. Muito ao contrário, pois me gabo de ter muitos amigos.

  14. Roberto Nunes Diz:

    Prezados, tive acesso (casualmente) à presente discussão ao procurar detalhes sobre outro assunto do meu interesse na área das pesquisas espíritas e deparo-me com opiniões iniciais aparentemente sérias, mas que são secundadas, s.m.j.,por “pitacos” de neófitos. Devo informar que ainda não encontrei um ex-espírita nas minhas andanças e contatos de mais de 30 anos.
    Sinceramente, para que se diga “espírita”, é necessário um conhecimento doutrinário seguro; ou então não se é (nunca se foi…). Vemos, em certos programas televisivos de orientação “evangélica”, depoimentos de pessoas que dizem: “fui espírita por 28 anos e…” vai por aí afora. Nunca o foram, podemos afirmar. Apenas freqüentaram os Centros Espíritas (ou tidos como tal) para ouvir as palestras, obter umas “consultas” e tomar uns passes, mas, ante uma sacudidela mais forte da vida, geralmente de ordem material, correm para quem os promete “prosperidade”… Ainda temos aqueles que na ânsia de tudo aprenderem no curto prazo, saltam de uma para outra corrente filosófica, ocultista, metafísica, etc, etc…
    Com relação à presente discussão, qualquer estudioso dessa matéria sabe que as inteligências extrafísicas sempre auxiliaram os escritores na revelação de certas facetas da Verdade com o objetivo de levantar, pouco a pouco, o “véu de Ísis” e trazer mais luz às trevas da ignorância dos povos. Isso vem-nos dos primórdios da Humanidade e, por vezes, simultaneamente ou em pequenos espaços de tempo, nas diferentes regiões geográficas, tal como ocorre com a música, com as invenções, com as descobertas científicas, etc.
    Quem pode assegurar que o mesmo espírito comunicante das instruções psicográficas ao médium Chico Xavier não tenha podido fazê-lo, anos antes, pela via da “inspiração”, ao autor da obra comparada: “O Átomo”, de Fritz Kahn?
    Há algum ineditismo nisso? Ou se prefere apontar para a fraude de quem nem tempo dispunha para suas necessidades mais comezinhas?
    Abraços fraternos.

  15. Vitor Diz:

    Caro Roberto,

    o próprio “espírito”, André Luíz, afirma ter tirado os conceitos de obras terrenas. Assim, aqui não cabe sua hipótese de “inspiração”.

    Um abraço.

  16. Rossano Diz:

    Queridos amigos, penso, com respeito a todas as opiniões, que para falarmos ou escrevermos sobre a vida de Chico Xavier, precisamos conhecer mais detidamente as infindáveis experiências paranormais (informações mediúnicas, materializações, curas físicas e espirituais, etc.) vividas por milhões de pessoas (do povo e das elites) junto ao médium de Uberaba. É muito sério falar do trabalho deste homem sem pesquisá-lo em profundidade. Podemos nos envergonhar muito do que falamos e escrevemos. Um outro detalhe: Será que se somarmos todas as nossas ações no bem (todos os que aqui debatemos), conseguiremos até o final de nossas vidas fazer pelo menos um décimo do que Chico Xavier fez por milhões de pessoas do Brasil e do Mundo? Fraterno abraço, Rossano.

  17. Eduardo Flores Diz:

    Prezado Vitor.

    Gostaría de parabenizá-lo pelo trabalho, no entanto é importante ressaltar que vias de regra qualquer estudo supostamente dito ser embasado em fundos científicos, devem necessariamente possuir fundamentação ampla na problemática levantada e grande conhecimento de causa a respeito da propositura a ser estudada, logo, tais requisitos básicos da metodologia cientifíca, não são observados no vosso trabalho, uma vez que o estudo é conduzido com base em um único livro, ou seja, trata-se da revisão de uma única literatura. Quanto ao conhecimento de causa, faz-se de extrema importância salientar que os livros de Francisco Cândido Xaivier, estão em total consonância com as obras de Allan Kardec, denominado o codificador do espiritismo, sendo assim qualquer estudo crítico aos livros psicografados de Chico Xavier, devem por obrigatoriedade ser conduzidos por propositores extremamente conhecedores da Doutrina Espírita, tal conhecimento não é claro em vosso trabalho, uma vez que é suscitado se Chico Xavier, conhecia as limitações entre mediúnico e material animíco, em decorrência da baixa escolaridade do autor, vosso desconhecimento pela causa espírita é revalado neste momento, uma vez que os integrantes ativos desta doutrina, estudam constantemente a respeito dos comportamentos humanos e dos efeitos além matéria, para comprovação dessa afirmativa, sugere-se que seja feita por vossa pessoa a leitura das obras básicas de Allan Kardec, que com certeza lhe demonstrarão que os estudos respectivos a mediunidade, encontram-se sim em estado bastante avançado, mas nunca em estágio final, pois assim como a humildade revalada em vosso estudo, os esforços em estudos e pesquisas referentes a este tema, também precisam estar em constante aprimoramento. Doravante recorrendo a observação lógica de vosso trabalho, faz-se o presente questionamento, se Chico Xavier, segundo vosso estudo, em decorrência da baixa escolaridade, não possuía capacidade de discenir entre entre mediúnico e material animíco, como podería então o mesmo, formular parágrafos com o mesmo sentido semântico é até mesmo com alguns exemplos que não são revelados no livro O Átomo de Fritz Kahn?
    Desta forma, é por bem da verdade ressaltar que, se são desenvolvidos dois estudos científicos a respeito de um mesmo tema, em uma mesma época, para que ambos sejam considerados válidos, devem impreterivelmente chegas as mesmas conclusões e afirmações, caso um possua resultados diferentes do outro, deverão ambos ser avalíados e certamente um estará inválidado pela falta de argumentos ou comprovações. Há nesse momento mais um questionamento, podería um aluno de estudo primário, conforme citado pelo vosso trabalho, desenvolver um estudo de tal complexidade?
    Doravante o exposto, sugere-se que se o senhor prestasse-se a estudar as obras de caridade e assistência promividas por este exemplo de cidadão, onde milhares de pessoas encontraram e encontram, pois o trabalho iniciado por Chico estende-se até hoje, abrigo e ajuda nas mais variadas causas, verificaria que ante os falsos propositos carentes de estruturação acadêmica e deficitários no que tange a metedologia científica de vosso estudo, existe uma fileira de necessitados de uma palavra amiga, de um consolo fraterno e de tudo o mais que nos é insignificante, logo se deseja fazer algum bem a sociedade, faço o primeiramente auxilíando vossos sememlhantes e não tecendo estudos confusos, sem métodos e bases, com objetivos de levantar questionamentos vazios sobre personalidades que contribuíram tão beneficamente ao desenvolvimento do senso moral da humanidade.

  18. Roberto Mumme Diz:

    Observando o que ocorre no movimento espírita, percebe-se a falta do estudo sério das obras da Codificação. O resultado não poderia ser outro senão a instalação da idolatria.

    Infelizmente poucos são os espíritas, designação que não representa medida de uma crença, apenas um rótulo,esses acabam por idolatrar médiuns, Espíritos, indo contrariamente aos ensinos que o Cristo nos deixou, que devemos amar a Deus acima de tudo e de todas as coisas.Vemos que falta mesmo o conhecimento e consequentemente a prática desses ensinos.

    Há muitas outras situações promovidas pela FEB, representada pela figura de Luciano dos Anjos, muitas de suas interpolações nas obras de Chico Xavier.

    Há muitos espíritas propagando não que André Luis disse, mas sim o que Luciano dos Anjos queria dizer.

    Portanto fica muito claro que o grande problema que se encontra no movimento espírita, vindo da ignorância ou ausência do conhecimento, não é o que se escreve e se edita, mas sim o que fazem do que é escrito e editado.

    Abraços

Deixe seu comentário

Entradas (RSS)